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Rodrigo Daniel Silva
Publicado em 5 de maio de 2026 às 05:30
Amigos, a democracia brasileira ainda é recente e, por isso, não oferece uma série histórica robusta sobre disputas eleitorais, especialmente no âmbito estadual. Os casos são poucos para afirmar padrões consolidados. Na Bahia, por exemplo, apenas quatro governadores, desde a redemocratização, tentaram a reeleição, e três conseguiram se manter no cargo. >
O primeiro foi César Borges. Para refrescar a memória: ele assumiu o governo em 1998, após a renúncia de Paulo Souto para concorrer ao Senado. Com a morte de Luís Eduardo Magalhães, que era o nome do grupo político, Borges, já no exercício do cargo, concorreu à reeleição e venceu com ampla vantagem de 54 pontos percentuais.>
Em 2002, Otto Alencar, que também chegou ao governo estadual como substituto, não disputou a recondução. Já Paulo Souto não teve sucesso em 2006. Jaques Wagner venceu em 2010 com vantagem de 47 pontos, e Rui Costa repetiu o desempenho em 2018, com uma diferença de 53 pontos.>
O cenário atual, no entanto, indica um confronto potencialmente mais apertado do que os anteriores. Há pelo menos três fatores que ajudam a explicar isso. Primeiro, o governo Jerônimo Rodrigues enfrenta uma redução nos índices de aprovação, conforme apontado por pesquisas recentes. Segundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal aliado político, também registra queda de popularidade. E, terceiro, diferentemente de seus antecessores na reeleição, Jerônimo enfrenta um adversário mais competitivo, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto.>
Em 2022, quando os dois se enfrentaram, a distância no segundo turno foi de apenas cinco pontos percentuais - algo em torno de 400 mil votos. A expectativa é de um embate eleitoral novamente equilibrado, com cenários que projetam margens ainda menores. Nos bastidores, há quem aposte que, desta vez, a vantagem de quem vencer não ultrapassará 100 mil votos sobre o oponente.>
Os dados mais recentes da Quaest ajudam a identificar um possível grupo decisivo. Entre o eleitorado feminino, há empate técnico entre os dois principais nomes (37% a 37%). Já entre os homens, ACM Neto aparece com vantagem de cerca de seis pontos. Isso sugere que o voto feminino tende a ser determinante.>
Mais especificamente, o recorte que desponta como estratégico é o de mulheres de renda mais baixa (até dois salários mínimos) e na faixa etária em torno dos 40 anos. Nesse segmento, a diferença entre os candidatos é mínima, o que amplia o peso desse eleitorado na definição do resultado.>
As demandas desse grupo também ajudam a entender o debate eleitoral. Há uma expectativa clara por melhoria nos serviços públicos, sobretudo na saúde. Uma pesquisa recente do instituto Nexus, encomendada pelo BTG Pactual, mostra que o endividamento das famílias brasileiras tem forte relação com gastos nessa área. Entre os que ganham até um salário mínimo, 41% apontam despesas com saúde como motivo de endividamento; entre os que recebem de um a dois salários mínimos, o índice é de 37%.>
Na campanha de 2022, o governador Jerônimo Rodrigues prometeu zerar a fila da regulação. Proposta considerada irrealista desde o início. Agora, com o cenário mais competitivo, esse tipo de compromisso tende a voltar ao centro do debate, com o eleitor cobrando resultados concretos nas urnas. Esse cenário abre uma janela para a oposição capitalizar o desgaste e transformar essa insatisfação em vantagem nas urnas.>