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As lições de Duda Mendonça ainda valem?

Duda Mendonça reinventou o marketing político no Brasil. Criou o que muitos chamariam de “dudismo”

  • Foto do(a) author(a) Rodrigo Daniel Silva
  • Rodrigo Daniel Silva

Publicado em 5 de agosto de 2025 às 05:00

Marqueteiro baiano Duda Mendonça
Marqueteiro baiano Duda Mendonça Crédito: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo

Amigos, nas últimas semanas, tenho revisitado as palavras e ideias de Duda Mendonça. Se estivesse vivo, completaria 81 anos no próximo domingo. Mas será no dia 16 que marcaremos quatro anos de sua partida. Embora não tenha recebido as homenagens que, a meu ver, merecia, Duda foi um daqueles gênios raros que, como diz o provérbio baiano, não nasceu na Bahia - ele estreou e brilhou.

Duda Mendonça reinventou o marketing político no Brasil. Criou o que muitos chamariam de “dudismo”, uma escola que ainda hoje inspira marqueteiros e estrategistas. Dias atrás, ouvi um podcast com a entrevista de um publicitário, e o apresentador comentou: “parece que o marketing de antes tinha mais emoção do que estratégia; hoje, tem mais estratégia do que emoção”. Não sei se ele pensava em Duda quando disse isso. Se sim, se enganou. Duda era a síntese perfeita entre emoção e estratégia.

Ele sabia pedir votos sem pedir. Basta lembrar da famosa propaganda “Meu nome é João”, da campanha de 2002. Ali havia emoção, havia estratégia - e havia arte. Porque uma campanha puramente racional é uma campanha fadada ao fracasso. O eleitor, antes de tudo, precisa ser conquistado pelo coração. E, como ensinava Duda, coração só se conquista com emoção.

Mas há uma lição específica que tem me feito pensar nas últimas eleições. Duda costumava dizer - e repetia com convicção - que “quem bate, perde”. Citava casos em que candidatos apanhavam, mas venciam. “Não adianta bater”, ele frisava. E isso me provocou uma dúvida: será que essa lição ainda vale nos dias de hoje?

Vivemos um tempo em que bater virou regra. Em que candidatos - de esquerda, direita ou centro - organizam verdadeiros “gabinetes do ódio” e alimentam redes com ataques, desinformação e, muitas vezes, fake news. Ainda haveria espaço para uma campanha vitoriosa que não recorresse à estratégia negativa?

Outro dia, avistei na estante o livro que li há alguns anos: “Um país partido: 2014 - a eleição mais suja da história”, do historiador Marco Antonio Villa, sobre o embate entre a petista Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves. Mas, depois das eleições de 2018 e 2022, será mesmo que 2014 foi a mais suja? Difícil dizer. A sensação é de que a cada novo ciclo eleitoral o nível só piora.

Num mundo ideal, campanhas serviriam para debater ideias, propostas, projetos para o país, estado ou município. Mas o que podemos esperar para o próximo ano é, infelizmente, uma disputa ainda mais suja que as anteriores - especialmente com o uso crescente da inteligência artificial, que tem tornado a mentira cada vez mais verossímil.

No fim das contas, a lição de Duda parece ter sido deixada para trás por um novo estilo de fazer política. Hoje, a máxima virou outra: perde quem não bate, vence quem bate mais forte. Uma pena.