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Da Redação
Publicado em 14 de novembro de 2015 às 02:49
- Atualizado há 3 anos
Todo mundo já sabe que Marco Polo Del Nero, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), desenvolveu nos últimos meses um súbito medo de avião - sobe o som pra Belchior: “Agora ficou fácil, todo mundo compreende, aquele toque Beatle, I wanna hold your hand”.Um colunista zombeteiro poderia escrever que Del Nero se treme, na verdade, quando pensa no FBI. Afinal, em maio, viu alguns dos seus pares serem engaiolados na Suíça, incluindo José Maria Marin, seu grande amigo e antecessor no comando da CBF. Desde então inventa umas desculpas chochas para faltar a qualquer compromisso no exterior e abandona a Seleção Brasileira nos jogos além da fronteira.O mesmo colunista escreveria que, vendo o aspecto de Marin ao chegar em Nova York na condição de prisioneiro extraditado, Del Nero pode ter se vislumbrado na mesma situação, perdeu o prumo e engulhou. Mas, você sabe, caro leitor ou bela leitora, nesta coluna não há espaço pra esse tipo de desconfiança.Fato é que, após a eventual náusea, qual foi o local escolhido por Del Nero para espairecer? Salvador, ora bolas. Depois de se ausentar em dez partidas da Seleção, o mandatário da CBF , pelo que se diz, virá à Bahia acompanhar o jogo contra o Peru. Desse modo, pode mergulhar num mar de águas mornas e comer um peixe delicioso. Depois, com a cuca desanuviada, verá de perto o embate pelas Eliminatórias.É notável como Salvador atrai. Veja você que Del Nero, mês passado, não foi a Fortaleza acompanhar a Seleção no encontro com a Venezuela. Mas, sabemos, não há encantos como o da capital baiana. Nestas bandas, todo visitante sente-se em casa e, por isso mesmo, Del Nero prometeu ao presidente da Federação Bahiana de Futebol, Ednaldo Rodrigues, que fará companhia a ele na Fonte Nova. Em paralelo à promessa, ficamos sabendo que Del Nero solicitou ao Supremo Tribunal Federal um habeas corpus preventivo para não ser preso durante audiência da CPI do Futebol, sendo que seu depoimento sequer foi marcado. Pediu também para não ter que assinar o documento em que se compromete a dizer a verdade à CPI. Não ria.Um colunista zombeteiro poderia escrever que, no fundo, Del Nero resolveu vir a Salvador por uma finalidade, digamos, mais mística: antes do jogo, deseja pedir proteção aos orixás do Dique do Tororó, esperando contar com as forças da natureza para manter-se fora do xadrez.Um cético diria que isso não passa de uma grande bobagem e que, com provas, cedo ou tarde a lei beijará sua testa. Um colunista zombeteiro fugiria do campo jurídico. Apegado ao que a vista não pode alcançar, escreveria mais ou menos assim: os orixás só protegem quem merece, o que, definitivamente, não é o caso.Mas você sabe, caro leitor ou bela leitora, aqui não tem espaço para esse tipo de zombaria. Especialmente quando se trata de visita tão ilustre. Girando O relato é de quem estava no Camp Nou domingo passado: aos 40 minutos do segundo tempo, quando o Barcelona já vencia por 2x0, a torcida cantava em homenagem a seu ídolo baqueado: “Messi! Messi!”. Nesse exato momento, Neymar passou la pelota de cabeça a Suárez no meio de campo e, segundos depois, recebeu de volta dentro da área. O resto todo mundo viu: aparou a bola com a barriga, banhou o adversário de costas, girou em torno do próprio eixo e estilingou de primeira, antes que a bola tocasse o chão. Quem estava lá diz: de bate pronto, os torcedores começaram a cantar “Neymar, Neymar, Neymar”, como se, num susto, se vissem prontos para transferir o cetro de mãos caso o futuro reserve esta necessidade. Um assombro.>