Lula admite disputar reeleição e fala de Tarcísio como adversário pela 1ª vez

Petista cobrou do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e dos líderes do governo que conversem mais com o Congresso

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Publicado em 18 de junho de 2024 às 20:51

Lula e Tarcísio de Freitas
Lula e Tarcísio de Freitas Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu, nesta terça-feira (18), que pode ser candidato à reeleição e, pela primeira vez, tratou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como adversário político na próxima eleição nacional.

Em entrevista à rádio CBN, Lula manifestou irritação com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, rumo a uma aliança em 2026 com Tarcísio de Freitas. O petista criticou a taxa de juros, disse que Campos Neto “tem lado político” e “não demonstra nenhuma capacidade de autonomia”.

“[Tarcísio] tem mais [poder de influência] que eu. Não é que ele [Campos Neto] encontrou com Tarcísio numa festa. A festa foi para ele, foi homenagem do Governo de São Paulo para ele, certamente porque o governador de São Paulo está achando maravilhoso a taxa de juros de 10,5%. A quem esse rapaz é submetido, como ele vai numa festa em São Paulo, quase assumindo candidatura a um cargo no Governo de São Paulo? Cadê a autonomia dele?”, questionou o petista, que também comparou o presidente do BC a Sergio Moro, hoje senador e ex-juiz da Lava Jato, ao apontar viés político em sua atuação.

Na entrevista, Lula não citou nomes de adversários, mas admitiu concorrer à reeleição para evitar que o país “volte a ser governado por um fascista e um negacionista”. O petista disse que em 2026, quando terá 80 anos, estará no auge da sua vida.

Lula cobrou do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e dos líderes do governo que conversem mais com o Congresso. Na avaliação do chefe do Executivo, na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), houve um processo de empoderamento do Parlamento.

“Nós só temos 70 deputados, a minha base de esquerda deve ter 140, e nós temos 513 deputados. Tem que negociar? Tem. Padilha tem que conversar mais? Jaques Wagner tem que conversar mais? Tem. José Guimarães tem que conversar mais? Tem. Randolfe tem que conversar mais? Tem”, cobrou Lula.