Lipedema e cirurgia plástica

Em algumas pessoas, a condição pode dificultar a mobilidade e em muitas delas afetar o aspecto psicossocial

Publicado em 31 de agosto de 2023 às 05:00

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Artigo Crédito: Arte CORREIO

O lipedema é uma condição médica crônica que afeta principalmente mulheres, caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura em áreas específicas do corpo, como quadris, coxas e pernas. Embora muitas vezes seja confundido com obesidade ou outros distúrbios de gordura, linfedema ou insuficiência venosa crônica, o problema requer uma abordagem específica, com destaque para a cirurgia plástica como parte importante do tratamento multidisciplinar.

O lipedema é frequentemente mal compreendido e subdiagnosticado. Suas causas precisas ainda não foram totalmente esclarecidas, embora haja indícios de influências hormonais e genéticas. Além do aspecto físico, o lipedema pode ser doloroso e causar sensibilidade ao toque. Em algumas pessoas, a condição pode dificultar a mobilidade e em muitas delas afetar o aspecto psicossocial.

A gordura do lipedema é diferente da obesidade, pois tende a formar nodulações no subcutâneo, além de ter um componente inflamatório importante. Como não existem exames específicos para confirmar a doença, o diagnóstico é feito mediante exame clínico, avaliação física e histórico familiar.

O lipedema é classificado em cinco tipos, de acordo com as áreas afetadas. O tipo um acomete do umbigo até os quadris; o dois vai até os joelhos, com presença de tecido gorduroso na parte lateral e inferior dos joelhos; o três vai até os tornozelos, com formação de “manguito” de gordura logo acima dos pés; o quatro afeta os braços e o cinco apenas do joelho para baixo.

O tratamento pode incluir uma abordagem conservadora, como a terapia de compressão, exercícios físicos e mudanças na dieta. Contudo, essas medidas quase sempre oferecem alívio limitado, especialmente quando se trata de reduzir o acúmulo de gordura, diferente da cirurgia plástica, que proporciona resultados mais duradouros e significativos.

A cirurgia que dura cerca de três horas, conhecida como lipoaspiração tumescente, é realizada por cânulas de pequeno calibre que aspiram o tecido gorduroso doente localizado abaixo da pele. Nos casos mais avançados (estágios 3 e 4), devido ao grande volume de gordura, após a lipoaspiração, a remoção cirúrgica do excesso de pele pode ser necessária.

Os pacientes que se submetem à cirurgia plástica para tratar o lipedema frequentemente relatam melhorias significativas na qualidade de vida, na mobilidade e na autoestima. A cirurgia não é uma solução única e definitiva, sendo essencial manter um estilo de vida saudável após o procedimento para manter os resultados.

O tratamento multidisciplinar costuma demandar outros especialistas além de um cirurgião plástico, tais como dermatologista, cirurgião vascular, fisioterapeuta, nutricionista, educador físico e, até mesmo, psicólogo ou terapeuta. O bem-estar das pacientes é o principal alvo das intervenções.

Franklin Mônaco é cirurgião plástico especialista em Microcirurgia e Reconstruções Complexas pela USP, pioneiro no tratamento de lipedema na Bahia.