Sobre a ponte, sobre a China

É preciso mais transparência sobre o quê, como, quando e quanto significa o Sistema Viário do Oeste - SVO

Publicado em 22 de agosto de 2023 às 05:00

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Artigo Crédito: Arte CORREIO

À exceção da liberdade de expressão diminuta, tudo na China é superlativo. Cultura, população, tradições, espiritualidade, disciplina, história, comércio, tecnologia, inclusive a opacidade das informações, uma misteriosa e fascinante nação. De longe, maior cliente e fornecedor do Brasil. Superpotência do século XXI, rival dos EUA numa escalada armamentista de influência geopolítica.

90% do comércio internacional Chinês é feito em conexão marítima com mais de 600 portos no mundo. Em sua costa estão 8 dos 10 maiores portos em tonelagem movimentada e 7 dos 10 maiores portos do mundo em volume de contêineres. Empresas chinesas controlam ou operam terminais em 97 portos estrangeiros, é uma presença de líder global.

O Governo chinês dirige ou controla a expansão internacional de suas corporações através do financiamento de infraestruturas. Por anos, tem oferecido incentivos para facilitar a aquisição, operação e desenvolvimento de infraestruturas estrangeiras por empresas nacionais. Essa estratégia teve início em 1999, evoluiu com planos industriais específicos no início do século XXI e ganhou maior impulso com a Iniciativa do Cinturão e Rota em 2013. No nosso caso, é o Brasil que está financiando a China.

Há 15 dias, em publicação aqui neste espaço, externei minhas preocupações sobre a prioridade do investimento na construção de uma ponte bilionária ante tantas outras demandas da sociedade baiana. Sobretudo, no que é função primordial do Estado investir: Educação, Saúde e Segurança públicas. Essas funções em situação lamentável de qualidade e governança.

Fui, então, gentilmente convidado pelos gestores da empresa concessionária da ponte para conhecer melhor o “Sistema Viário do Oeste - SVO”, do qual a ponte é o maior e mais complexo investimento. Alguns pontos esclarecidos, outros nem tanto. Percebi dois pontos positivos: (I) O consórcio vencedor é composto de duas potentes empresas chinesas com vasta experiência na construção de pontes. Quanto ao aspecto técnico, creio estarmos em boas mãos. (II) É abismal a desigualdade do IDH na região ao sul de Itaparica em relação à Região Metropolitana de Salvador. A ponte poderá ser um elemento de melhor distribuição. Incerto, mas pode.

Por outro lado elevou-se a incerteza quanto à concretização do “SVO”. A responsabilidade da construção pelos chineses resume-se ao trecho da ponte Salvador-Itaparica. Todo o resto, a partir da obsoleta ponte do funil até o encontro com as BRs 101 e 116 e a BA 001 é com o governo. É preciso mais transparência sobre o quê, como, quando e quanto significa o “SVO”.

Na opacidade das informações de maneira geral, viceja a desconfiança de estarmos em risco de termos, sobre a Baía de Todos-os-Santos, um imenso engarrafamento para Chinês ver.

Matheus Oliva é empreendedor