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Maiara Baloni
Publicado em 15 de abril de 2026 às 19:08
O governo federal avalia lançar uma nova versão do Desenrola em 2026, com o objetivo de reduzir o custo das parcelas e criar mecanismos que evitem o retorno rápido à inadimplência. A proposta surge após dados do Banco Central indicarem que o alívio financeiro de quem renegociou dívidas foi temporário. Embora o programa original tenha movimentado R$ 53 bilhões e beneficiado cerca de 15 milhões de pessoas até maio de 2024, o aumento do custo de vida e os juros elevados levaram parte dos consumidores de volta ao endividamento poucos meses depois.
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JUROS NO CARTÃO DE CRÉDITO E SELIC
Uma das propostas em análise no Ministério da Fazenda é permitir o uso do saldo do FGTS como garantia nas renegociações. A ideia é que, com o fundo do trabalhador funcionando como respaldo, os bancos possam oferecer juros mais baixos nas novas condições de pagamento.
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A medida, no entanto, enfrenta resistência de entidades como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e sindicatos. A principal crítica é que o uso do FGTS, que deveria ser reservado para situações como desemprego ou aquisição da casa própria, pode transferir o risco ao trabalhador sem resolver o problema estrutural do endividamento. O Idec defende que a política pública precisa respeitar o conceito de mínimo existencial e ampliar a proteção ao consumidor.
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A dificuldade em manter os pagamentos está diretamente ligada ao nível da taxa Selic. Com os juros básicos em patamar elevado, o custo do crédito ao consumidor continua alto. Mesmo após renegociações, quem depende de modalidades como cartão de crédito ou cheque especial enfrenta taxas que podem ultrapassar 400% ao ano.
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Especialistas e entidades de defesa do consumidor apontam que o endividamento no Brasil tem causas estruturais. Sem mudanças mais amplas na regulação do crédito e na limitação de juros, programas de renegociação tendem a ter efeito temporário, já que o acúmulo de encargos supera a capacidade de pagamento das famílias.
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O Desenrola 2.0 ainda não foi formalizado e depende da definição de regras que reduzam o risco de reendividamento. Antes de qualquer envio ao Congresso, o governo acompanha indicadores como o comprometimento da renda das famílias, monitorado pelo Banco Central.
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O principal desafio é equilibrar o acesso ao crédito com o nível elevado dos juros no varejo, hoje um dos maiores entraves para a manutenção do nome limpo no longo prazo. >