Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Do calor ao branding: ventarolas viram estratégia no São João

Da escolha do papel ao uso de QR Codes, produção de brindes exige atenção técnica para garantir retorno de marca durante as festas

  • Foto do(a) author(a) Carmen Vasconcelos
  • Carmen Vasconcelos

Publicado em 6 de abril de 2026 às 06:00

Impressão em ambos os lados amplia o espaço para ação publicitária
Impressão em ambos os lados amplia o espaço para ação publicitária Crédito: Shutterstock

Se o calor em Salvador não dá trégua, o mercado de brindes agradece. O que antes era visto apenas como um acessório de sobrevivência no verão, o leque — ou a popular ventarola de papel — consolidou-se em 2026 como uma das ferramentas de marketing mais eficazes da Bahia.

Para as gráficas locais, o item deixou de ser um produto sazonal para se tornar o “outdoor de mão” que garante o giro das máquinas durante todo o ano.

O diretor geral da Pressgraf Gráfica e Editora Leonardo Ornellas confirma que, embora o Carnaval continue sendo o maior pico de produção devido ao volume massivo exigido em curto espaço de tempo, o setor aprendeu a diversificar. “O Carnaval exige que a gráfica se prepare com antecedência para o aumento de demanda, mas, hoje, o setor não depende só disso. Casamentos, eventos corporativos e ações promocionais mantêm a produção ativa com pedidos frequentes e melhores margens”, explica.

Diferente dos leques importados que inundam o comércio popular, a indústria gráfica de Salvador aposta no abanador convencional de papel. O modelo mais solicitado para esta temporada é o papel cartão supremo duodesign 250g, com impressão colorida em ambos os lados (4x4 cores).

A grande vantagem competitiva das empresas baianas frente aos produtos chineses é a personalização extrema. “A concorrência local é grande, mas não competimos com o importado genérico. O nosso diferencial é a marca do cliente, a campanha específica, a rapidez na entrega e a estrutura para rodar grandes tiragens com qualidade”, destaca Ornellas.

Boca em boca

Com as redes sociais ditando o ritmo do consumo, a ventarola ganhou status de vitrine móvel. Como o acessório está constantemente nas mãos dos usuários — e consequentemente nas fotos e vídeos postados em tempo real —, a exposição da marca ganha um alcance orgânico difícil de replicar em outros formatos. “As propagandas impressas nas ventarolas se tornam uma vitrine de boca em boca. É um anúncio que circula pelas ruelas e grandes camarotes”, pontua o empresário.

Em 2026, o mercado de brindes na Bahia acompanha mudanças no comportamento do consumidor e nas estratégias de marketing, com foco em maior durabilidade, sustentabilidade e expansão territorial.

Entre as principais tendências, está a busca por acabamentos mais resistentes nas ventarolas, permitindo que o material seja utilizado por mais de um dia de festa — o que amplia o tempo de exposição das marcas e potencializa o retorno sobre o investimento publicitário.

A pauta ambiental também ganha espaço no setor, com o aumento da procura por soluções mais sustentáveis na produção gráfica. Ainda assim, empresários relatam que o avanço esbarra em desafios práticos, como o custo unitário mais elevado e o impacto nos prazos de entrega, exigindo um equilíbrio entre a demanda por produtos ecológicos e a viabilidade operacional.

Outro movimento relevante é a interiorização da produção. Embora Salvador e Feira de Santana sigam como polos consolidados, pequenas gráficas no interior do estado começam a se fortalecer ao atender demandas locais de festas populares e eventos regionais. O fenômeno amplia a capilaridade do setor e sinaliza um mercado em expansão para além dos grandes centros urbanos.

Segundo semestre

Apesar do otimismo no outono baiano ainda muito quente, o desafio das gráficas baianas é manter o fluxo de caixa no segundo semestre.

O Sebrae-BA recomenda que as empresas não fiquem reféns apenas das festas populares. “Estratégias como criar recorrência e diversificar o portfólio são essenciais”, orienta o consultor Anderson Silva.

 Anderson Silva é gestor do projeto de gráficas do SEBRAE-BA
Anderson Silva é gestor do projeto de gráficas do SEBRAE-BA Crédito: Divulgação

A recomendação para as gráficas é montar um mix de produtos que rode o ano todo, incluindo comunicação visual para hotéis, congressos, feiras setoriais e o crescente mercado de formaturas, que em Salvador possui um calendário robusto fora do eixo fevereiro-março.

Em meio à preparação para o São João de 2026, por exemplo, empresas baianas têm adotado uma abordagem mais estratégica na produção de brindes, tratando o processo como uma extensão direta das ações de marketing.

O planejamento começa pela definição clara do objetivo da peça: enquanto brindes de balcão priorizam baixo custo e alto volume, ações voltadas a clientes VIP exigem itens com maior valor agregado e acabamento diferenciado. A escolha do produto também segue essa lógica, com destaque para ventarolas de papel — ainda protagonistas nas festas juninas por conta do calor —, além de alternativas como canecas de fibra de coco, alinhadas ao apelo sustentável, e bandeirolas personalizadas, que dialogam com a estética tradicional do período.

O cronograma de produção é outro ponto crítico. Com o pico de demanda das gráficas concentrado no mês de maio, a recomendação do setor é que os pedidos sejam feitos com pelo menos 30 dias de antecedência, evitando atrasos e custos adicionais.

Na etapa de criação, o chamado “pulo do gato” está na preparação correta do arquivo gráfico. Profissionais alertam para a necessidade de trabalhar com o padrão de cores CMYK, adequado à impressão, além de garantir imagens com resolução mínima de 300 DPI para evitar perda de qualidade.

Detalhes técnicos, como a inclusão de sangria de, ao menos, três milímetros e a conversão de textos em curvas, são essenciais para assegurar precisão no corte e fidelidade visual do material final. As especificações técnicas também influenciam diretamente a durabilidade e a percepção de qualidade do brinde. No caso das ventarolas, o uso de papel cartão supremo entre 250g e 300g é o mais indicado por oferecer rigidez sem comprometer o manuseio. Acabamentos como o verniz total agregam proteção contra umidade e suor, comuns nas festas juninas, além de valor estético.

A utilização de impressão frente e verso (4x4 cores) amplia as possibilidades de comunicação, permitindo incluir desde a programação de estabelecimentos até QR Codes para ações promocionais. Por fim, a logística e a distribuição ganham papel estratégico, especialmente no caso das ventarolas, tratadas como verdadeiros “outdoors de mão”.

A legibilidade da marca a uma distância média de dois metros é considerada essencial, já que o item circula amplamente e aparece com frequência em fotos e vídeos compartilhados nas redes sociais. O armazenamento adequado também é determinante: manter os brindes longe da umidade evita deformações no papel e garante que o material chegue ao público final em perfeitas condições de uso.

Tags:

Negócios