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Carmen Vasconcelos
Publicado em 4 de maio de 2026 às 06:00
O mercado de trabalho em 2026 atravessa uma de suas transformações mais profundas, impulsionada pela consolidação da Geração Z em cargos estratégicos e operacionais. >
Longe de ser apenas uma questão geracional, a convivência entre diferentes idades tem exigido que empresas e lideranças repensem conceitos fundamentais de produtividade e compromisso.>
Para especialistas em comportamento e saúde mental, o cenário atual demanda menos estereótipos e mais ajustes estruturais na cultura organizacional.>
Um dos pontos centrais dessa mudança reside na comunicação. Embora existam críticas sobre uma suposta dificuldade de interação dos jovens fora das telas, o que se observa é uma mudança de repertório. Carmen Rezende, psicóloga com larga experiência em RH, destaca que, enquanto gerações anteriores valorizam a resposta imediata, a Geração Z tende a preferir tempo para elaborar o retorno. "Isso pode gerar ruído e interpretações equivocadas", alerta. >
Ana Carolina Peuker, CEO da Bee Touch, observa que esse fenômeno se traduz em situações concretas: reuniões presenciais mais silenciosas e desconforto em lidar com conflitos diretos. Segundo ela, o isolamento da pandemia privou esses profissionais de experiências fundamentais de aprendizado informal."Hoje, isso aparece como mais insegurança no início da carreira e maior necessidade de validação. Não é uma fragilidade estrutural, mas um desenvolvimento interrompido que ainda está sendo retomado", defende Peuker.>
Ativos Estratégicos >
A sensibilidade ao feedback, muitas vezes rotulada como "baixa resiliência", é rebatida pelas especialistas como uma menor tolerância a ambientes psicologicamente inseguros. Tatiana Pimenta, fundadora e CEO da Vittude, reforça que a Geração Z traz ganhos em agilidade e clareza na comunicação escrita, mas precisa de ambientes que estimulem o desenvolvimento interpessoal. >
Para Peuker, a resposta do jovem muda quando o gestor abandona o julgamento genérico por um direcionamento prático."Essa geração já chega mais sobrecarregada do ponto de vista cognitivo. Ambientes desorganizados aumentam o desgaste. A saúde mental é inegociável", afirma a doutora em psicologia.>
No campo tecnológico, a Inteligência Artificial (IA) tornou-se um diferencial competitivo real. Contudo, o sucesso não depende do acesso à ferramenta, mas da capacidade de usá-la para potencializar o pensamento crítico. Ana Carolina Peuker introduz o conceito de cognitive resilience: o diferencial passa a ser quem consegue analisar e interpretar, em vez de apenas aceitar a resposta pronta da máquina.>
"O ponto crítico está nas vagas de entrada. Muitas tarefas iniciais estão sendo automatizadas. O jovem da equipe está aprendendo a pensar ou só executando com ajuda da tecnologia?", questiona.>
Além do Contracheque>
A retenção de talentos em 2026 passa obrigatoriamente pelo chamado "salário emocional". Para os novos profissionais, o trabalho não é o centro absoluto da identidade, mas um dos eixos do bem-estar. Tatiana Pimenta reflete que existe uma mudança clara de mentalidade: "Gerações anteriores formaram sua identidade no trabalho. A Geração Z estabelece uma relação mais equilibrada". Essa postura se reflete em uma vigilância aguda sobre as práticas de ESG (Ambiental, Social e Governança). >
O engajamento agora depende da reciprocidade e da coerência entre o discurso institucional e a prática diária."A Geração Z não está recusando o trabalho, ela é refratária a um modelo de trabalho que não faz mais sentido", resume Ana Carolina Peuker. >
Para os gestores que buscam reduzir o turnover, o caminho apontado pelas especialistas é unânime: abandonar suposições genéricas em favor de uma escuta genuína, onde o erro seja parte do aprendizado e o propósito seja tão tangível quanto a remuneração.>
Checklist para o Gestor >
Escute Realize conversas individuais genuínas sobre motivação>
Estruture Feedbacks devem ser baseados em comportamentos observáveis.>
Apoie Implemente programas de saúde mental e segurança psicológica>