Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Longevidade desafia empresas a rever estratégias

Com o envelhecimento da população e a escassez de talentos, modelos de gestão passam a integrar profissionais 60+

  • Foto do(a) author(a) Carmen Vasconcelos
  • Carmen Vasconcelos

Publicado em 13 de abril de 2026 às 06:00

Inclusão etária para além do discurso: movimento NOLT ganha força e presença  nas grandes empresas
Inclusão etária para além do discurso: movimento NOLT ganha força e presença nas grandes empresas Crédito: Shutterstock

Com projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicando que, até 2060, um em cada quatro brasileiros terá mais de 60 anos, empresas passam a enfrentar um novo imperativo: integrar profissionais mais experientes como ativos centrais de produtividade, inovação e sustentabilidade dos negócios.

Nesse contexto, ganha força o debate sobre a chamada “Geração NOLT” — termo que, mais do que uma classificação técnica, reflete uma mudança de mentalidade.

Trata-se de profissionais que rejeitam a ideia de fim de carreira e assumem uma postura ativa, produtiva e protagonista. Para especialistas, o conceito ajuda a deslocar o olhar sobre a maturidade no trabalho, historicamente associada a perda de desempenho.

Diretora de Gestão Estratégica de Pessoas do ManpowerGroup, a executiva Wilma Dal Col observa que o impacto dessa transformação já é mensurável nas organizações. Segundo ela, profissionais com mais de 55 anos apresentam maior engajamento, menor rotatividade e níveis mais altos de comprometimento — fatores que reduzem custos de contratação e treinamento.

Profissional com mais de 30 anos de experiência na área de recursos humanos, Wilma atua também como consultora de RH há duas décadas
Profissional com mais de 30 anos de experiência na área de recursos humanos, Wilma atua também como consultora de RH há duas décadas Crédito: Divulgação

“Não se trata de trabalhar mais, mas de trabalhar melhor. São profissionais que entregam consistência, visão sistêmica e capacidade de priorização construída ao longo de décadas”, afirma.

Complementares

Na prática, esse perfil contribui para ambientes menos voláteis e decisões mais assertivas, especialmente em contextos de pressão e incerteza. Estudos de consultorias globais como McKinsey e Deloitte reforçam essa percepção ao indicar que equipes com diversidade etária podem alcançar até 30% mais produtividade.

A explicação passa pela complementaridade de competências: enquanto gerações mais jovens agregam agilidade tecnológica, profissionais mais experientes oferecem repertório, inteligência emocional e leitura estratégica.

Para a psicóloga e CEO da Bee Touch Ana Carolina Peuker, o fenômeno vai além da performance individual e se insere em uma mudança estrutural do mercado de trabalho. “A experiência deixou de ser um estágio final e passou a ser um ativo escasso. O modelo tradicional de substituição — saída de profissionais seniores e entrada de jovens — não se sustenta mais”, analisa.

A doutora em psicologia Ana Carolina Peuker, fundadora e CEO da Bee Touch
A doutora em psicologia Ana Carolina Peuker, fundadora e CEO da Bee Touch Crédito: Divulgação

Segundo ela, ignorar essa transformação pode gerar um “apagão de talentos” programado, com impactos diretos na capacidade operacional das empresas.

A substituição de profissionais experientes, por exemplo, pode reduzir a produtividade em até 30% nos primeiros meses e aumentar a incidência de erros em funções críticas.

Preço do etarismo

Apesar dos dados, o etarismo ainda persiste — muitas vezes de forma silenciosa. Filtros automatizados em processos seletivos, vieses culturais e estereótipos associados à idade contribuem para a exclusão de candidatos mais experientes.

Estudos indicam que profissionais acima dos 50 anos podem ter até 50% menos chances de avançar em processos seletivos, mesmo com qualificação equivalente.

O custo dessa exclusão vai além da diversidade. “Ignorar um currículo maduro significa perder conhecimento acumulado, aumentar riscos estratégicos e elevar custos com treinamento e rotatividade”, destaca Wilma.

Em um cenário de escassez de talentos, descartar profissionais prontos para atuar é, segundo ela, um erro estratégico. Além disso, há impactos psicossociais relevantes.

A Organização Mundial da Saúde tem alertado para o crescimento da solidão como fator de risco à saúde — fenômeno que também se manifesta no ambiente corporativo, especialmente quando há desconexão entre gerações.

Diante desse cenário, a construção de ambientes intergeracionais deixa de ser uma pauta de diversidade e passa a integrar a agenda de negócios.

A recomendação dos especialistas é clara: não basta reunir diferentes faixas etárias, é preciso estruturar a convivência. Programas de mentoria cruzada, por exemplo, têm se mostrado eficazes ao combinar competências complementares.

Jovens contribuem com domínio digital e velocidade de execução, enquanto profissionais mais experientes compartilham visão estratégica e capacidade de tomada de decisão.

Esse intercâmbio reduz o tempo de adaptação tecnológica, melhora a qualidade das decisões e fortalece o engajamento. Outro conceito que ganha relevância é o de mattering — a percepção de ser valorizado e de ter impacto real no ambiente de trabalho. Ambientes que falham nesse aspecto tendem a perder inteligência coletiva, já que profissionais que não se sentem relevantes participam menos e compartilham menos conhecimento.

Ao contrário de um senso comum ainda difundido, a capacidade de aprendizagem não diminui de forma significativa com a idade. O que muda, segundo especialistas, é a forma de aprender. Para profissionais mais experientes, o aprendizado precisa estar conectado a propósito, ter habilidade imediata e reconhecer a experiência prévia. Nesse contexto, o conceito de lifelong learning — aprendizagem ao longo da vida — torna-se central.

Tags:

Empregos