Maioria dos profissionais acredita que suas habilidades não serão mais úteis nos próximos anos

Pesquisa aponta preocupação dos trabalhadores com substituição nas empresas

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Publicado em 17 de junho de 2024 às 05:15

Lucas Rizzardo, Diretor de Vendas do Indeed no Brasil
Lucas Rizzardo, diretor de Vendas do Indeed no Brasil Crédito: Divulgação

Você que está lendo essa matéria e que neste momento está no mercado de trabalho, consegue se imaginar daqui a cinco anos? Acredita que, em 2029, continuará sendo um profissional útil para a empresa da qual faz parte ou até mesmo para outras?

Se a resposta for não para a última pergunta, tudo bem, sem problemas, você não está sozinho. Um em cada quatro trabalhadores ouvidos pelo site Indeeb acredita que estará obsoleto para o mercado de trabalho até 2029.

A ideia de que as habilidades atuais usadas em seus empregos já não serão suficientes nos próximos anos também preocupa a maioria dos mil trabalhadores brasileiros ouvidos pela pesquisa conduzida pelo portal de empregos. De acordo com o levantamento, 82% dos entrevistados concordaram com essa afirmação.

Mas, por que tanta preocupação com os próximos cinco anos? Há algo que o profissional precisa começar a fazer neste exato momento diante deste curto período? As respostas dos especialistas são unânimes: o medo vem diante das transformações enfrentadas pelo mundo do trabalho nos últimos anos. E sim, os mais receosos com essas mudanças podem começar a se adaptar às novas exigências.

Para Carol Corrêa, psicóloga, mentora de carreiras e especialista em aconselhamento profissional, a automação de algumas atividades, a migração dos negócios para o ambiente digital, novas exigências dos consumidores e a presença cada vez mais forte da Inteligência Artificial no mundo dos negócios fazem com que os profissionais passem a pensar o quão suas atuais habilidades podem não ser mais úteis.

“A preocupação existe, claro, mas acredito também que os profissionais que têm a consciência de que podem ficar para trás, não estão de braços cruzados neste momento. Se reconhecem que as habilidades não serão úteis daqui a alguns anos, é porque acompanham as transformações e se acompanham, buscam a adaptação”, opina Carol.

Algumas habilidades que passaram a ser demandadas pelas empresas diante das transformações, e que foram pontuadas pela especialista, também apareceram nas respostas dos entrevistados quando foram questionados sobre quais novas competências deverão constar em seus currículos nos próximos anos.

Aprender a usar novas tecnologias lidera a lista de necessidades identificadas pelos trabalhadores (68%). Em seguida, aparecem as demandas sobre aprender a trabalhar com inteligência artificial e com novos sistemas ou processos, ambas com 41%.

Também foram mencionados o aprendizado de novos idiomas (38%) e de linguagens de programação e códigos (26%), além de aspectos mais pessoais como melhoria no processo de análise crítica e interpretação de dados (38%) e novas formas de trabalhar em grupo (26%) .

“Apesar de reconhecerem amplamente que as habilidades e dinâmicas atuais não serão suficientes para as mudanças a caminho no mercado de trabalho, os trabalhadores também estão confiantes de que serão capazes de se atualizar e buscar as novas habilidades necessárias para se manterem relevantes”, afirma Lucas Rizzardo, Diretor de Vendas do Indeed no Brasil.

Aprendizado

A maioria dos trabalhadores acredita que, por conta própria, conseguirá a qualificação necessária para enfrentar a nova realidade do mercado de trabalho (39%). Outra fatia dos entrevistados (32%) acredita que o treinamento necessário virá de seus empregadores, o que pode afastar fantasmas constantes relacionados à substituição de profissionais ou enxugamento de postos de trabalho.

“O ideal, na minha avaliação, é que o próprio profissional busque a qualificação que ele acredita que será indispensável nos próximos anos. A constante atualização deve existir, não apenas quando pairar uma suposta ameaça. Isso pode ser feito com cursos, pós-graduações e MBAs. São poucas as empresas que bancam a capacitação dos seus colaboradores, talvez, em casos de muita confiança. Ninguém quer assumir o custo de qualificar um empregado para perder para seus concorrentes”, completa a mentora de carreiras e especialista em aconselhamento profissional.

"A postura atual parece diferente da que víamos nas últimas décadas, quando a maior introdução de tecnologia gerava o temor pela perda de empregos. Agora, há maior confiança e firmeza dos trabalhadores sobre as próprias posições e, também, do avanço necessário para que não sejam deixados para trás. Como não é possível frear as mudanças do mercado, as pessoas precisam acompanhar esses movimentos”, completa Rizzardo.

O estudo da Hult EF Corporate Education, organização mundial de educação corporativa, revelou quais são as habilidades técnicas que saltam os olhos de líderes de todo o mundo, incluindo o Brasil.

No que diz respeito ao nosso país, a maioria dos 68 líderes ouvidos mencionaram habilidades como o domínio de software de análise de dados, Microsoft Excel, Marketing Digital, princípios de programação, Desenvolvimento Web, Machine Learning e gestão de dados.

O relatório de competências para o futuro de trabalho do Fórum Econômico Mundial, divulgado no ano passado, por sua vez, destacou as habilidades socioemocionais que são mais requeridas pelas empresas, algumas delas são: o poder de negociação, a persuasão, a habilidade de apresentação e pensamento crítico.