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Carmen Vasconcelos
Publicado em 11 de maio de 2026 às 06:30
O Dia das Mães, celebrado ontem, 10 de maio, costuma ser marcado por homenagens afetuosas, mas a realidade que se impõe na segunda-feira revela um cenário complexo de desafios estruturais e transformações profundas no mercado de trabalho. Entre a busca por uma gestão mais humana e a luta pelo sustento familiar, a maternidade tem se tornado um laboratório de novas competências e uma via para a autonomia financeira. >
Para mulheres em cargos de alta gestão, a maternidade tem atuado como um catalisador de mudança de mentalidade. Nara Iachan, CMO e cofundadora da startup Loyalme, relata que o nascimento de seu filho em 2025 reconfigurou sua forma de liderar, priorizando o ritmo sobre a urgência. >
A executiva elenca quatro aprendizados fundamentais que estão humanizando o ambiente corporativo, começando pela nova gestão do tempo, onde a priorização deixou de ser apenas um exercício de organização para se tornar uma decisão estratégica, focando no que realmente move o negócio com menos reatividade. >
Paralelamente, a confiança e a autonomia ganharam espaço à medida que a liderança baseada no controle deu lugar ao conceito de "nutrir", estabelecendo ambientes de crescimento onde as equipes possuem segurança psicológica para errar e se desenvolver. Essa transformação também passa pelo "filtro do não", uma vez que o crescimento sustentável passou a exigir a recusa consciente de demandas e reuniões que não contribuem para a longevidade da operação. >
Por fim, a inovação pela escuta redefine o desenvolvimento de novos projetos, deslocando o foco para a observação profunda das necessidades humanas e gerando produtos que possuem maior aderência à realidade e aos problemas reais do cliente.>
Pena da Maternidade >
Apesar desses ganhos em competências sociais e estratégicas, os dados do IBGE apontam que as mulheres ainda enfrentam a "penalidade da maternidade", caracterizada por estagnação de carreira e queda de renda. >
Como resposta, o empreendedorismo surge não apenas como um sonho, mas como uma estratégia de sobrevivência. >
Na Bahia, a 3ª edição da pesquisa “Maternidade e Negócios”, do Sebrae, revela que 57% das mães empreendedoras têm no próprio negócio sua única fonte de renda. Esse perfil é composto majoritariamente por mulheres negras (74%), concentradas nos setores de serviços e comércio.>
A jornada é marcada por uma profunda solidão institucional e familiar. >
De acordo com os dados do Sebrae, a realidade das mães empreendedoras é marcada por desafios estruturais e sociais, uma vez que apenas 39% delas contam com o apoio do parceiro nos cuidados com a casa e os filhos. >
Essa sobrecarga é acompanhada pelo enfrentamento social, visto que 46% das entrevistadas afirmam já ter sofrido preconceito por serem mulheres à frente de negócios. Além disso, barreiras técnicas ainda limitam o crescimento dessas empresas, especialmente as dificuldades na gestão financeira, relatadas por 35% das empreendedoras, e o restrito acesso a assessorias especializadas, que afeta 53% das entrevistadas.>
Autonomia >
O relato de Jô Lima, fundadora do Jô Lima Academy, ilustra essa resiliência. Após ver o faturamento cair com a chegada dos dois filhos e chegar a trabalhar apenas oito dias após o parto por necessidade financeira, Jô buscou capacitação no Sebrae para reorganizar sua empresa. >
“Eu entendi que não era só técnica”, afirma ela, que hoje associa o sucesso à autonomia conquistada. Para Valquíria de Pádua, gestora estadual do Sebrae Delas, o cenário é desafiador: as mães empreendem com pouca renda e pouco apoio, mas garantem o sustento das famílias. >
Seja no comando de uma startup de tecnologia ou na sala de casa na periferia, a maternidade exige uma "engenharia de vida" que redefine o conceito de produtividade. Quando essa vivência é integrada ao trabalho, ela deixa de ser um obstáculo para se tornar o alicerce de uma liderança mais resiliente, intencional e profundamente focada no impacto real da vida das pessoas. >
O sucesso dessas mulheres, como demonstram os dados e relatos, não depende apenas da capacidade individual de superação, mas de uma mudança estrutural que valorize a autonomia feminina e ofereça redes de apoio reais para que o sustento da família não signifique o esgotamento da mãe.>
Fortaleça o negócio e equilibre a jornada >
Priorize o Ritmo, não a Urgência Entenda que nem tudo o que é urgente é estratégico. Filtre suas tarefas diárias focando no que realmente move o seu negócio. >
Busque Redes de Apoio: Não tente carregar tudo sozinha Procure grupos de empreendedorismo feminino para trocar experiências, capacitação e ampliar suas oportunidades de mercado.>
Invista em Gestão Financeira Separe as contas pessoais das contas da empresa. Buscar orientações básicas de administração financeira é um passo decisivo para a sustentabilidade do seu sustento. Treine a Liderança por Contexto Se tiver equipe, aprenda a delegar e a nutrir a autonomia do time. Isso diminui a dependência de você para cada pequena validação, devolvendo-lhe tempo. >
Acolha a Imperfeição O "momento perfeito" não existe. Comece com as ferramentas que você tem hoje e ajuste o processo ao longo do caminho, focando na consistência.>