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Reforma Tributária: Como as novidades redefinem o empreendedorismo local

As mudanças exigem mais controle de custos do que conformidade contábil

  • Foto do(a) author(a) Carmen Vasconcelos
  • Carmen Vasconcelos

Publicado em 4 de maio de 2026 às 06:30

Entre o Simples
Entre o Simples "Puro" e o "Híbrido": As escolhas cruciais que os empreendedores baianos devem tomar Crédito: Shutterstock

O mercado brasileiro atravessa o quarto mês de 2026 sob o signo da "calibração". Com o início da transição para o modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual, o momento é de ajustes técnicos e, sobretudo, de uma mudança radical na mentalidade de gestão.

Embora as alíquotas de teste — fixadas em um total de 1% (0,90% para CBS e 0,10% para IBS) — ainda não representem um aumento efetivo de carga para a maioria, o impacto burocrático e estratégico já bate à porta dos pequenos negócios.

Uma das maiores dúvidas dos empreendedores em Salvador e no interior do estado reside na forma de recolhimento. Até setembro de 2026, empresas do Simples Nacional deverão decidir se mantêm o modelo atual ou se passam a recolher o IBS e a CBS "por fora".

Maurício Fernandez, analista do Sebrae/BA, explica que a escolha depende de onde a empresa está na cadeia produtiva. "Se mais de 30% do faturamento é com B2B (venda para outras empresas), o regime híbrido deve ser considerado. Se mais de 70% é B2C (venda para o consumidor final), o Simples puro tende a ser mais eficiente", orienta.

Essa decisão deixa de ser meramente contábil para se tornar uma arma competitiva.

Vanessa Assis, coordenadora da Comissão de Assuntos Tributários do Conselho Regional de Contabilidade (CRCBA), alerta que o fornecedor que optar pelo Simples Nacional "puro" pode se tornar artificialmente mais caro para grandes clientes, que não conseguirão aproveitar créditos tributários integrais. "Não optar pelo regime regular de IBS e CBS poderá encarecer seu preço, reduzir competitividade e gerar pressão comercial para mudança de regime", afirma Vanessa.

Vanessa Assis é coordenadora da Comissão de Assuntos e Estudos Tributários do CRCBA
Vanessa Assis é coordenadora da Comissão de Assuntos e Estudos Tributários do CRCBA Crédito: Divulgação

Nanoempreendedor

Para os profissionais que faturam até R$ 40,5 mil anuais, a Reforma trouxe a figura do Nanoempreendedor. Diferente do MEI tradicional, este modelo permite a atuação como pessoa física com isenção de IBS e CBS, sendo ideal para ambulantes e diaristas que não pretendem expandir no curto prazo ou que não necessitam emitir nota fiscal.

Contudo, Fernandez recomenda cautela na escolha: "É uma alternativa de transição, mas a decisão perpassa os objetivos de crescimento. Motoristas de aplicativo, por exemplo, podem se beneficiar ao excluir despesas de combustível da base de cálculo".

No dia a dia operacional, o erro mais comum tem sido a confusão no preenchimento das novas notas fiscais. Vanessa Assis esclarece que muitos microempreendedores estão destacando impostos indevidamente."O erro mais frequente é confundir 'campo disponível no layout' com 'campo obrigatório'. MEI e Nanoempreendedor não são contribuintes de IBS e CBS e não devem destacar esses tributos", pontua a contadora.

No campo legislativo, há um otimismo moderado sobre a ampliação do teto do MEI. Embora o limite atual permaneça em R$ 81 mil, Fernandez destaca que há urgência na tramitação de projetos que podem elevar esse teto para até R$ 130 mil ainda em 2026, liberando a contratação de até dois funcionários.

A Virada de 2027

A recomendação dos especialistas para quem deseja chegar em 2027 — quando PIS e Cofins serão extintos — é clara: organização interna.

Para Vanessa Assis, o ano de 2026 serve para "escancarar" custos desorganizados. "A Reforma Tributária não conserta custo desorganizado. Ela irá escancarar! Trate 2026 como o ano de mudança de comportamento empresarial. Ajuste suas propostas comerciais e revise seus contratos", aconselha.

Nesse cenário, o papel institucional do CRCBA e do Sebrae ganha relevância na preparação da classe contábil e dos empresários. "O contador deixa de ser apenas o guardião da conformidade e assume o papel de estrategista, ajudando na tomada de decisões sobre preço, margem e sustentabilidade", completa Vanessa.

À medida que a Reforma Tributária deixa de ser uma promessa legislativa para se tornar rotina operacional, o papel do contador sofre uma metamorfose definitiva. Se antes a prioridade era o cumprimento de prazos e obrigações acessórias, em 2026 esse profissional assume o papel de consultor estratégico e analista de viabilidade. É ele quem traduz a técnica, projeta cenários de fluxo de caixa e ajuda o empreendedor a entender que o imposto agora é uma variável direta na formação de preços.

Tags:

Empreendedorismo