Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Gigante de carros da Alemanha admite entrada no mercado militar

CEO da montadora Mercedes-Benz afirma que empresa pode atuar no setor de defesa se fizer sentido econômico; movimento reflete nova tendência na indústria europeia

  • Foto do(a) author(a) Mariana Rios
  • Mariana Rios

Publicado em 17 de maio de 2026 às 05:00

34º — Mercedes (Fórmula 1) | US$ 6 bilhões
34º — Mercedes (Fórmula 1) | US$ 6 bilhões Crédito: Divulgação

A gigante automotiva alemã Mercedes-Benz Group passou a considerar a possibilidade de entrar no setor de defesa, em meio ao aumento das tensões geopolíticas globais e à transformação da indústria europeia. As declarações foram feitas pelo CEO Ola Källenius em entrevista ao Wall Street Journal.

Segundo Källenius, a empresa estaria aberta a participar do segmento militar caso a operação faça sentido do ponto de vista econômico. Ele afirmou que “o mundo se tornou mais imprevisível” e que há uma necessidade crescente de reforço das capacidades de defesa na Europa.

"O mundo tornou-se mais imprevisível e penso que é evidente que a Europa precisa desenvolver as suas capacidades de defesa", afirmou o diretor-Geral do grupo, Ola Källenius. "Se pudermos desempenhar um papel positivo neste domínio, estaremos preparados para o fazer".

A eventual entrada no setor não significaria uma mudança completa de foco, mas sim uma atuação complementar ao negócio principal de automóveis. A ideia, segundo o executivo, é aproveitar a capacidade industrial da montadora em produção em larga escala e engenharia de precisão.

O movimento da Mercedes-Benz acompanha uma tendência mais ampla entre grandes grupos industriais europeus, que vêm avaliando oportunidades no setor de defesa diante do aumento dos investimentos militares no continente e da reconfiguração do cenário global de segurança.

Sofisticada, a cabine pode ser amplamente personalizada por Divulgação

A empresa, uma das maiores fabricantes de automóveis do mundo, reforça assim a possibilidade de diversificação estratégica em um momento de pressão sobre o setor automotivo, marcado por concorrência internacional e desafios econômicos.

Tendência

A Mercedes-Benz Group não é a única gigante automotiva europeia a avaliar oportunidades no setor de defesa. Outras fabricantes também começaram a estudar formas de aproveitar estruturas industriais para atender à crescente demanda militar no continente.

A Volkswagen, por exemplo, analisa a possibilidade de produzir veículos de transporte militar em sua fábrica de Osnabrück. O CEO do grupo, Oliver Blume, afirmou que uma decisão sobre o projeto deve ser tomada ainda este ano, embora tenha ressaltado que a empresa não pretende fabricar armas ou tanques.

Ao mesmo tempo, empresas da indústria bélica vêm se aproximando do setor automotivo. A Rheinmetall informou que estuda converter fábricas atualmente voltadas ao fornecimento de peças automotivas, em cidades como Neuss e Berlim, para a produção de equipamentos militares.

A companhia também avalia a possibilidade de adquirir unidades industriais de montadoras em dificuldades, incluindo a fábrica da Volkswagen em Osnabrück, cujo futuro é considerado incerto. Apesar disso, o CEO da Rheinmetall, Armin Papperger, afirmou que adaptar estruturas automotivas para a indústria de defesa exige investimentos elevados e nem sempre é tecnicamente simples.

O avanço do setor militar ocorre em meio à crise enfrentada pela indústria automobilística alemã, pressionada por custos elevados, queda na demanda europeia, concorrência crescente da China e ameaças tarifárias dos Estados Unidos.

Em fevereiro, a Mercedes-Benz anunciou queda de cerca de 49% no lucro anual, passando de 10,4 bilhões para 5,3 bilhões de euros em 2025. O faturamento da empresa também recuou 9%. Com exceção da BMW, as principais montadoras alemãs anunciaram cortes de empregos nos últimos meses.

Enquanto isso, o setor de defesa vive um momento de expansão. Segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), os 100 maiores fabricantes de armas do mundo atingiram recorde de vendas em 2024.

Apesar do crescimento acelerado, especialistas avaliam que a indústria militar ainda está longe de compensar o peso econômico da indústria automotiva alemã. Apenas o setor automotivo movimentou mais de 540 bilhões de euros em 2024, valor muito superior ao faturamento conjunto das cinco maiores empresas de defesa da Alemanha, que somaram menos de 30 bilhões de euros em 2023.

Tags:

Negócios