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Amanda Cristina de Souza
Publicado em 20 de março de 2026 às 17:26
A alta do diesel nos últimos meses, em meio à volatilidade do mercado internacional de petróleo e às tensões no Oriente Médio, levou o governo do presidente Lula a intensificar a discussão de medidas para conter o avanço dos combustíveis no Brasil, com foco no diesel.
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Uma medida provisória em discussão pelo governo estabelece um conjunto de ações emergenciais, incluindo subsídios e benefícios fiscais, que podem custar até R$ 30 bilhões aos cofres públicos em 2026, segundo estimativas de órgãos oficiais.
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Para tentar segurar a alta dos preços, o governo anunciou medidas emergenciais. Entre elas, está a manutenção da desoneração de PIS/Cofins sobre o diesel, o que pode ajudar a reduzir o preço em cerca de R$ 0,30 por litro, segundo estimativas do mercado.
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Além disso, o governo avalia conceder uma subvenção a produtores e importadores, com valor por litro ainda em definição, e impacto estimado em até R$ 10 bilhões aos cofres públicos, segundo projeções do mercado. A medida teria vigência limitada ao exercício fiscal ou ao teto de recursos autorizado.
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Para compensar a perda de arrecadação, a medida provisória prevê a elevação da alíquota do imposto de exportação sobre o petróleo bruto, em torno de 12%, e a adoção de um encargo adicional sobre as exportações de diesel.
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O preço do barril de petróleo ultrapassou US$ 100, impulsionado pela tensão no Oriente Médio envolvendo o Irã e outros países da região, segundo a Folha de S.Paulo. Esse aumento elevou os custos de importação e logística, impactando diretamente o preço do transporte de cargas e de itens da cesta básica.
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O movimento preocupa o governo. O diesel, indispensável para o transporte de cargas, está subindo e pode pressionar toda a cadeia logística, o que encarece alimentos e outros produtos e aumenta os riscos de inflação.
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Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostram que, antes da adoção das medidas, o diesel estava em média em R$ 6,80 por litro, com picos de até R$ 8,49 em regiões específicas. Já a gasolina manteve relativa estabilidade, sem grandes alterações. Sem as ações do governo, projeções de mercado indicam que o diesel poderia ter subido mais cerca de R$ 0,60 por litro.
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Da canetada à prateleira, a estratégia para evitar que a desoneração fique no lucro das empresas
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Além da desoneração de PIS/Cofins e das medidas de apoio ao setor, a ANP intensificou a fiscalização em distribuidoras e postos para coibir irregularidades na comercialização e garantir o cumprimento das normas do mercado de combustíveis.
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As multas para quem descumprir essas normas podem ser elevadas, o que reforça a pressão sobre os fornecedores.
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O pacote tem efeito relevante nas contas públicas. A renúncia fiscal total é estimada em cerca de R$30 bilhões em 2026.>
Para compensar parcialmente esse gasto, o governo aposta na tributação sobre exportações de petróleo, especialmente em um cenário de preços internacionais elevados, que pode ampliar a arrecadação dessas operações.
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Apesar das medidas, especialistas alertam que a efetividade do pacote depende da evolução do mercado internacional de petróleo e da dinâmica geopolítica no Oriente Médio.
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Se os preços continuarem altos ou os conflitos se intensificarem, novas ações ou prorrogações poderão ser necessárias, elevando o impacto fiscal do programa.
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No curto prazo, a previsão é de que a gasolina se mantenha relativamente estável, mas o diesel continua sujeito a volatilidade, refletindo diretamente a evolução do mercado global e a tensão geopolítica.
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O pacote proposto pelo governo mostra o esforço para equilibrar o controle da inflação, proteger a cadeia logística e cuidar das contas públicas, mesmo em um cenário global instável.
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Nos próximos meses, o preço dos combustíveis dependerá diretamente da evolução do conflito no Oriente Médio e do valor do petróleo no mercado internacional.
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Para quem abastece ou trabalha com transporte, isso significa que qualquer mudança lá fora pode chegar rapidamente às bombas, tornando ainda mais importante acompanhar as medidas do governo.
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