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Amanda Cristina de Souza
Publicado em 25 de março de 2026 às 16:56
A liberação para funcionamento de farmácias dentro de supermercados voltou a colocar em pauta o debate sobre o preço dos medicamentos no Brasil. Parte do mercado avalia que o aumento da concorrência pode pressionar os valores para baixo, mas entidades representativas divergem sobre o quanto esse efeito realmente chega ao consumidor.>
De acordo com informações de órgãos legislativos, a mudança foi oficializada pela Lei nº 15.357/2026, que autoriza a instalação de farmácias nesses espaços, desde que mantidas todas as exigências sanitárias. Com a nova regra, o mercado passou a discutir o potencial do modelo para influenciar preços.>
A nova legislação permite que supermercados operem farmácias em suas dependências, desde que haja separação física e cumprimento integral das normas do setor farmacêutico.>
Isso inclui a presença de profissional qualificado, controle na dispensação de medicamentos e respeito às exigências sanitárias.>
Na prática, a medida aumenta os pontos de venda e pode intensificar a disputa por clientes. Ainda assim, avaliações do setor indicam que o impacto sobre os preços depende de variáveis como concorrência local, tipo de produto e estratégia comercial de cada rede.>
Representantes do varejo supermercadista defendem que a entrada nesse mercado tende a ampliar a competição com farmácias tradicionais, o que pode estimular descontos, principalmente em medicamentos de uso frequente.>
A avaliação é que o ganho de escala e a maior disputa por consumidores podem, ao longo do tempo, favorecer preços mais competitivos.>
Por outro lado, redes de farmácias não veem isso da mesma forma. Segundo essas entidades, pesquisas de mercado mostram que supermercados nem sempre praticam preços mais baixos, mesmo em produtos de higiene e perfumaria parecidos. Isso indica que o efeito competitivo nos preços pode ser limitado ou variar bastante.>
O cenário acaba mostrando um conflito de interesses entre a expansão do varejo de supermercados e a manutenção da competitividade das farmácias tradicionais.>
Análises técnicas apontam que o próprio funcionamento do setor farmacêutico impõe limites a reduções mais agressivas.>
Entre os principais fatores estão:>
exigência de farmacêutico durante todo o horário de funcionamento;>
cumprimento de normas sanitárias rigorosas;>
regulação de preços em determinados medicamentos.>
Esse conjunto reduz a flexibilidade para promoções, diferente do que ocorre com outros produtos vendidos em supermercados.>
Segundo análises de mercado, medicamentos isentos de prescrição (MIPs) tendem a ter maior variação de preços, por estarem mais expostos à concorrência direta.>
Medicamentos controlados ou que têm regras mais rígidas de venda costumam manter os preços estáveis, não importa onde sejam vendidos, por conta das normas sanitárias e da precificação.>
Segundo análises recentes da Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), já rolou de supermercados cobrarem mais caro do que farmácias tradicionais.>
Um levantamento citado na mídia especializada mostrou que mais de mil produtos têm preços mais altos em supermercados do que em farmácias.>
Ou seja, o impacto nos preços dos remédios não é igual para todo mundo — algo que tem sido discutido entre a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a Abrafarma.>
No curto prazo, especialistas dizem que a principal mudança de ter farmácias dentro de supermercados é a conveniência: mais oferta e praticidade, e não necessariamente preços mais baixos. O consumidor sai ganhando por poder comprar remédios e produtos do dia a dia tudo em um lugar só.>
Já no médio e longo prazo, o cenário pode variar. Para a Abras, com mais vendas e uma operação maior, a concorrência pode aumentar e, com isso, os preços podem ficar mais atraentes. A lógica é: “quanto mais pontos de venda dentro dos mercados, maior a tendência de baixar os preços”.>
Por outro lado, a Abrafarma alerta que os custos altos — aluguel, salários e manutenção de estoque — somados às exigências regulatórias, podem limitar qualquer queda significativa nos preços.>
No fim das contas, o efeito real nos preços e no acesso aos medicamentos vai depender da região, da concorrência e da estratégia de cada estabelecimento. Ou seja, não dá pra esperar o mesmo resultado para todo mundo.>
No cenário atual, ter farmácias dentro de supermercados deve deixar a vida do consumidor mais prática e ampliar as opções, já que dá pra resolver várias coisas em um só lugar. Mas conveniência não é sinônimo de preços mais baixos.>
Na prática, o valor dos produtos pode variar bastante, dependendo de fatores como: a concorrência na região, o tipo de medicamento (genérico, de marca ou de uso contínuo) e a estratégia de cada empresa — incluindo descontos, acordos com laboratórios e programas de fidelidade.>
Ou seja, esse modelo pode trazer mais comodidade e, em alguns casos, até estimular a concorrência, mas não dá pra garantir que os preços vão cair de forma consistente para todos os consumidores.>