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Millena Marques
Publicado em 12 de maio de 2026 às 06:30
O percentual de famílias brasileiras endividadas subiu mais uma vez e atingiu 80,9% em abril, maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). É o quarto mês seguido de recorde. No mês anterior, em março, o percentual havia sido de 80,4%. >
Mas, afinal, por que é tão fácil se endividar? De acordo com o educador financeiro Raphael Carneiro, é difícil diversos fatores podem explicar esse movimento de endividamento no país. "Muito vem da condição financeira das pessoas, da dificuldade de renda, da precariedade de trabalho, renda baixa. Combinado a isso, há a falta de educação financeira, da possibilidade de as pessoas entenderem bem as receitas, entenderem bem o que fazer (com o dinheiro)", explica. >
Como organizar as contas de começo de ano e evitar o endividamento
A falta de controle é um dos principais fatores. "O endividamento vem muito da vontade de querer tudo na hora ao mesmo tempo, além de não se programar, não se organizar, da falta da educação financeira. Em alguns casos, a gente não pode esquecer também da renda mais baixa do que deveria, do salário baixo e o custo de vida alto", pontua. >
A inadimplência, por sua vez, apresentou relativa estabilidade na margem, segundo o relatório da CNC. O percentual de famílias com contas em atraso variou para 29,7% em abril, mantendo-se, contudo, acima do patamar de 29,1% registrado no mesmo período do ano anterior. Já o índice de famílias que declararam não ter condições de quitar suas dívidas em atraso permaneceu em 12,3% pelo segundo mês consecutivo, após elevação pontual em fevereiro. Endividado é quem possui dívidas a pagar (parcelas, financiamentos), mas pode estar com elas em dia. O inadimplente é quem não pagou a dívida até a data de vencimento, ou seja, está em atraso. >
De acordo com o relatório, o cartão de crédito continua como a principal modalidade de dívida, exercendo o maior impacto no orçamento, seguido pelos carnês de loja e pelo crédito pessoal. Entre aqueles que possuem contas em atraso, quase metade (49,5%) reportou débitos vencidos há mais de 90 dias. O tempo médio de atraso estabilizou-se em 65,1 dias pelo terceiro mês seguido, refletindo melhora da renda média que ajuda na regularização financeira.>
O novo recorde da série histórica ocorre em um momento de mobilização e atenção do setor público em relação ao tema, com a articulação do programa Desenrola 2.0. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, os indicadores da Peic reafirmam a importância do debate sobre o custo do crédito para os diferentes setores da sociedade. “É preciso garantir que os mecanismos de renegociação evitem que este endividamento aprofunde ainda mais a crise de liquidez das famílias.”>