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Mariana Rios
Agência Brasil
Publicado em 12 de maio de 2026 às 17:56
A União Europeia anunciou nesta terça-feira (12) a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal ao bloco. A medida foi tomada após os europeus considerarem insuficientes as garantias apresentadas pelo país sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária. >
Na prática, a decisão pode atingir exportações brasileiras de carne bovina, frango, ovos, mel, peixes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro, caso o governo e o setor produtivo não consigam adequar os protocolos sanitários às exigências europeias.>
União Europeia veta compra de carne brasileira a partir de setembro
A decisão foi confirmada pela Comissão Europeia e ainda precisa ser publicada oficialmente para produzir efeitos legais definitivos. O Brasil fazia parte da lista de países habilitados a vender produtos de origem animal ao mercado europeu, mas acabou excluído após uma revisão das regras ligadas ao uso de antibióticos e outros antimicrobianos na produção animal.>
Segundo o bloco europeu, o país ainda não demonstrou de forma suficiente que determinadas substâncias restritas deixaram de ser utilizadas ao longo de toda a cadeia produtiva destinada à exportação.>
Entre os produtos potencialmente afetados estão carne bovina, carne de frango, ovos, mel, peixes, equinos e derivados animais. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem autorizados a exportar normalmente ao bloco europeu.>
Os antimicrobianos são medicamentos usados para combater bactérias, fungos, vírus e parasitas. Na pecuária, além do tratamento de doenças, algumas substâncias também podem ser utilizadas para acelerar o crescimento dos animais e aumentar a produtividade.>
A União Europeia proíbe especialmente o uso de antimicrobianos considerados importantes para tratamentos humanos, numa tentativa de frear a resistência bacteriana — quando micro-organismos deixam de responder aos medicamentos.>
Entre as substâncias monitoradas estão virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.>
Segundo os europeus, o problema não é necessariamente a contaminação da carne brasileira, mas a falta de comprovação documental, rastreabilidade e controle sanitário em toda a cadeia de produção animal.>
O mercado europeu é um dos destinos mais relevantes para as proteínas animais brasileiras, especialmente no segmento de carne bovina premium.>
Em abril, o governo brasileiro publicou uma portaria restringindo parte dos antimicrobianos usados como melhoradores de desempenho animal. Ainda assim, a avaliação europeia é de que faltam garantias adicionais.>
Agora, o Brasil terá de ampliar restrições legais ou criar sistemas mais rigorosos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados seguem integralmente as normas sanitárias do bloco europeu.>
Entidades do agronegócio afirmaram que trabalham junto ao governo federal para evitar a suspensão efetiva das exportações. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes disse que o país mantém sistemas robustos de controle sanitário, enquanto a Associação Brasileira de Proteína Animal informou que apresentará esclarecimentos técnicos às autoridades europeias.>
A medida foi anunciada poucos dias após o avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, tema que enfrenta resistência de agricultores europeus, principalmente na França.>
Apesar da coincidência no timing, a Comissão Europeia afirma que a restrição faz parte das regras sanitárias da política “One Health”, criada para combater o uso excessivo de antibióticos e reduzir riscos à saúde pública.>