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Confira algumas dicas para fazer uma redação nota 10 no Enem

Saiba o que escrever para ter rendimento máximo no exame que acontece nos dias

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  • Da Redação

Publicado em 2 de setembro de 2010 às 10:16

 - Atualizado há 3 anos

Silvana Malta | Redação CORREIO

Reunir ideias coerentes dentro da proposta de redação é o maior desafio dos candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que este ano terá provas aplicadas em 6 e 7 de novembro. A cada edição, tem aumentado a importância da prova de redação no certame que é usado como facilitador do ingresso à instituições do ensino superior.Para o coordenador do departamento de Redação do colégio Sartre COC, Lucas Rocha, na hora de escrever a redação o estudante precisa estar atento na formatação de ideias coerentes. O alerta do professor, no entanto, não chega a preocupar a estudante do pré-vestibular do Colégio Oficina Arianne Miranda Ernesto, 18 anos.

“Estudar um pouco de filosofia, sociologia, antropologia garante formação e informação diferenciadas"

Pelo contrário, isto só aumenta as chances para a jovem ingressar em sua tão sonhada faculdade de Direito. O motivo? Ariane é uma aluna nota dez na matéria e aponta o auto conhecimento como o principal motivo do seu desempenho.

“Evito repetir os argumentos que as outras pessoas usam e tento ver dentro de mim a bagagem que eu trago sobre o tema. Mas, pra isso, é preciso se conhecer”, disse a estudante.CONHECIMENTO No guia Manual de Expressão Oral e Escrita, feito pelo professor J. Matoso Câmara, ele enfatiza que “não se escreve sobre o que não se entende”. A frase é citada pelo professor de Língua Portuguesa, Literatura e Redação do Colégio Anchieta Evert Reis como principal dica aos vestibulandos para fazer uma boa redação.“O autor se refere à necessidade de conhecimentos gerais, que só podemser obtidos a partir de debates e leitura de jornaiserevistas, que trazem a informação de forma objetiva”, salientou o educador, acrescentando a necessidade do estudante dominar a língua portuguesa e conhecer técnicas de redação (saber que o texto deve ter três partes, o que não significa necessariamente três parágrafos).“No caso da dissertação, a introdução é o lugar da frase-núcleo, da tese. De um modo geral, tem um parágrafo. O desenvolvimento é o lugar da argumentação, onde o autor desdobra, justifica, comprova o que foi dito na introdução. A conclusão é o lugar do remate, que pode ser um questionamento aberto, uma síntese do pensamento ou o reforço da tese (geralmente o mais usado)”, esclareceu o professor.TEMÁTICA Reis ressalta que, de um modo geral, os temas das redações são bem elaborados e vêm representados em pequenos textos. Nesse caso, sugere que os candidatos evitem tomar uma palavra ou expressão dentro desses temas/textos como referência de suas redações, pois podem ser uma ideia secundária.“O importante é ler, reler e refletir sobre a essência do texto. Em seguida, adotar um ponto de vista e desenvolver o pensamento crítico”, diz. O coordenador do Departamento de Redação do Sarte COC defende a importância do conteúdo para elaboração de uma boa redação. “É preciso seduzir o leitor, gerar uma expectativa e conseguir cumpri-la”. Reforçando o método da pré-vestibulanda Arianne, Rocha aposta na fuga da superficialidade e numa perspectiva mais aprofundada. “Estudar um pouco de filosofia, sociologia, antropologia. Isso garante formação e informação diferenciadas, tão valorizadas hoje pelo Enem e pelos vestibulares”, finalizou. Outro aprendizado importante segundo Arianne, é se colocar no lugar do leitor. “Antes, eu tinha muita dificuldade em redação, porque deixava meu lado lírico aflorar, usava metalinguagem, metáforas, abstraía mesmo. E aí não ficava claro para quem lia”, relembrou. A estudante ressalta que buscamanter suas características próprias, mas de uma forma mais objetiva. “Tem gente que escreve textos incríveis, masque não são compreendidos. Só quando o autor os explica”, arremata. Outra dica é relaxar e deixar fluir o lado crítico, que é natural do ser humano, sem perder o mínimo de estruturalinguística. “A definição prática de dissertar é fazer juízo sobre alguma coisa. E isso é nato. Todo indivíduo sempre tem uma postura crítica, seja rico ou pobre”, afirmou.

A professora de redação Anya Moura comenta o texto produzido por Arianne Miranda Ernesto. O tema da redação partiu da crônica de Lya Luft, Sobre Pais e Filhos, publicada na Veja On-line, com a pergunta feita è escritora durante uma conferência: "Por que as crianças hoje são tão malcriadas e os adolescentes tão agressivos?".

Leia o texto de Arianne:

Frequentemente os noticiários nos apresentam filhos que se tornam assassinos dos pais, adolescentes que incendiaram um índio e outros que espancaram uma secretária do lar. Atitudes como essas não são tão recentes e estão tornando-se banais. Entretanto crianças malcriadas e adolescentes agressivos nem sempre são consequência de mau-caratismo. Suas ações podem revelar um pedido de ajuda e uma resposta à sociedade que lhes tirou o direito de sonhar com a utopia e quer lhes confortarabolindo os limites.

Com o desenvolver da sociedade, algumas mudanças comportamentais foram ocorrendo. O crescimento do antissexismo que vê o homem e a mulher como iguais, a luta contra o racismo, a quebra de preconceito com as profissões e o combate ao preconceito com o divórcio nos deram uma liberdade de escolha inédita. O problema é que estávamos adaptados ao modelo patriarcalista antes vigente e o antigo comodismo foi rompido. Muitas pessoas ainda não compreenderam as mudanças e perderam-se. Além do que sempre há aqueles que se aproveitam da nossa fragilidade momentânea para ascender.

Vivendo esses conflitos, muitos pais se perdem na educação dos filhos e na própria vida. os mais abastados dão a seus filhos todas as superficialidades que eles querem para compensá-los pelo mundo tão distorcido e corrupto a que são apresentados. Os mais humildes nem sempre podem privar seus filhos de tal paisagem e, com falta de recursos para as ditas futilidades, lhes concedem certa liberdade e perdões para suprir o que não puderam dar.

Pais acomodados e temerosos pelos filhos liberam-nos de suas responsabilidades concomitante com sua libertação do dever de educá-los. Não os ensinam a lutar pelos sonhos, a querer utopia, mas os ensinam a serem megalomaníacos e rirem da palavra família. Os pais, a sociedade e os professores têm que ser compreensivos, mas têm que ensinar às suas crianças amor, ética e respeito. Baixar a idade criminal, abolir as palmadas e culpar só os pais é renunciar ao dever de melhorar, necessário aos serem humanos.

As nossas crianças são reflexo da nossa fragilidade. Sonhar deu lugar ao videogame, brincar deu lugar a contar cédulas. As pessoas precisam sorrir pelo direito de lutar que conquistaram e não ter medo dele. Apanhar e ser castigado nem sempre resolve erro de conduta, mas amar não é dizer sempre sim. As crianças precisam confiar e ter em quem espelhar-se, pois ser imoral, boçal e descontrolado elas já aprenderam.

Veja a análise da professora: