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Agência Correio
Raphael Miras
Publicado em 25 de abril de 2026 às 08:00
Localizada a cerca de 90 km ao sul de Salvador, no município de Cairu, a Ilha de Boipeba é um dos destinos mais singulares do litoral brasileiro. Integrante do Arquipélago de Tinharé, a ilha parece ter parado no tempo por uma escolha consciente de preservação.>
Diferente de sua vizinha badalada, Morro de São Paulo, Boipeba optou por manter estradas de terra batida, a ausência total de carros e uma rotina ditada pelo movimento das marés.>
Ilha de Boipeba, Bahia
Reconhecida pela UNESCO como Reserva da Biosfera e Patrimônio da Humanidade, a ilha está inserida em uma Área de Proteção Ambiental (APA) de 43.300 hectares que abriga restingas, recifes de coral e extensos manguezais. >
A colonização da região é antiga, com os jesuítas fundando a Aldeia de Boipeba em 1537. Até hoje, a Igreja do Divino Espírito Santo, erguida no século XVII na Velha Boipeba, permanece como um marco histórico da ilha.>
A ilha é formada por quatro vilarejos principais: Velha Boipeba, Moreré, Monte Alegre e São Sebastião (Cova da Onça), todos conectados por trilhas de areia ou trajetos marítimos.>
Velha Boipeba: É a porta de entrada e o centro da vida local, concentrando a maior parte da infraestrutura, restaurantes e pousadas.>
Moreré: Antiga vila de pescadores, é o destino ideal para quem busca isolamento absoluto e um ambiente bucólico.>
Cova da Onça: Localizada no extremo sul, é famosa por sua gastronomia à base de frutos do mar frescos.>
Considerada um dos refúgios mais bonitos do Brasil, a Ilha de Boipeba encanta por suas águas mornas e cristalinas, perfeitas para quem busca um cenário paradisíaco. >
A experiência mais completa para explorar a região é o passeio de Volta à Ilha, que permite desfrutar das piscinas naturais de Moreré e Castelhanos durante a maré baixa. >
Se você é fã de mergulho, o período entre novembro e abril oferece a visibilidade ideal para observar a biodiversidade marinha e o histórico naufrágio espanhol do século XVI na Ponta dos Castelhanos. >
Já para os aventureiros de terra firme, a trilha entre a Praia da Cueira e Moreré é imperdível, incluindo a clássica travessia do Rio do Inferno — uma jornada que resume bem a magia selvagem e preservada desse destino.>
A culinária local é um capítulo à parte. O prato mais icônico é a lagosta preparada no fogão a lenha pelo mestre Guido, na Praia da Cueira. >
Outras iguarias incluem a moqueca de camarão com banana da terra, as ostras frescas colhidas nos manguezais de Canavieiras e o exótico pastel de arraia acompanhado de caipirinha de cacau com biribiri.>
Chegar a Boipeba exige planejamento, o que ajuda a manter o local preservado. O acesso mais comum é via Valença, de onde partem lanchas rápidas que levam cerca de uma hora até a ilha. Outra opção estratégica é seguir até o povoado de Torrinhas, em Cairu, para uma travessia mais curta de apenas 20 a 25 minutos.>
Para quem deseja aproveitar o mar em sua máxima transparência, a primavera (setembro a novembro) é considerada a melhor época. >
Já entre julho e outubro, as águas de Boipeba tornam-se palco para a observação de baleias-jubarte, um espetáculo natural que atrai viajantes de todo o mundo.>
Em um mundo cada vez mais acelerado, Boipeba sobrevive como um dos últimos refúgios onde o luxo está na simplicidade de caminhar descalço e no silêncio interrompido apenas pelo som do mar.>