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Misteriosa 'Stonehenge das Américas' revela como civilização media o tempo há 3 mil anos

Com 13 torres alinhadas, complexo no deserto peruano mostra que a astronomia nas Américas surgiu muito antes do que se pensava

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Matheus Ribeiro
  • Agência Correio

  • Matheus Ribeiro

Publicado em 25 de abril de 2026 às 08:00

Estrutura de Chankillo, no Peru, revela como uma antiga civilização usava o Sol para medir o tempo e reforçar poder Crédito: Pexels

Chankillo, no deserto costeiro do Peru, desafia antigas certezas sobre a astronomia nas Américas. Com 13 torres alinhadas ao longo de uma colina, o complexo funcionava como um observatório solar de alta precisão e já era sofisticado muito antes do surgimento do Império Inca.

O sítio arqueológico chama atenção porque transforma o horizonte em instrumento de leitura do tempo. Ao acompanhar o nascer e o pôr do sol entre as torres, seus construtores conseguiam identificar solstícios e equinócios com precisão impressionante.

Mais do que um conjunto de ruínas, Chankillo revela uma civilização capaz de unir conhecimento astronômico, arquitetura e simbolismo num mesmo espaço. Por isso, o local surge hoje como uma das evidências mais fascinantes da ciência antiga no continente.

No coração do deserto, oásis de Huacachina, no Peru, atrai milhares de turistas  por Divulgação/Pro Peru

Calendário solar erguido no deserto

As chamadas 13 Torres de Chankillo funcionavam como um verdadeiro relógio solar. Ao longo do ano, o Sol se alinhava de formas diferentes com a estrutura, criando um sistema que permitia marcar ciclos sazonais com clareza.

Na prática, os antigos habitantes construíram um calendário tridimensional usando o relevo e a luz como referências. Assim, o horizonte deixava de ser apenas paisagem e passava a operar como ferramenta precisa de observação.

Engenharia avançada antes dos incas

O complexo antecede culturas mais conhecidas da região, o que torna sua existência ainda mais impressionante. Pesquisadores ainda discutem quem o construiu, mas há consenso sobre o alto grau de desenvolvimento astronômico presente no local.

Além das torres, Chankillo inclui um forte e áreas cerimoniais. Esse conjunto indica que a função do sítio não era apenas prática. Ao mesmo tempo, ele reunia observação do céu, organização do espaço e força simbólica.

Luz solar, autoridade e controle social

Novas interpretações sugerem que a luz solar tinha papel que ia muito além da agricultura. Em sociedades antigas, prever mudanças de estação significava organizar rituais, orientar decisões coletivas e consolidar liderança.

A lógica era direta: quem controla o calendário, controla a sociedade. Com isso, a capacidade de antecipar o comportamento do Sol podia reforçar a autoridade política e produzir uma imagem de poder quase divina.

O que Chankillo muda na história

Chankillo enfraquece a ideia de que a astronomia avançada nas Américas surgiu tardiamente. Pelo contrário, o complexo mostra que esse conhecimento já era preciso, complexo e integrado à vida social muito antes do que se imaginava.

Não por acaso, o sítio foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Hoje, ele se firma como prova de que observar o céu também era uma forma de organizar a terra, o tempo e o poder.