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Mulher usa folha de caderno do filho, fura lata velha e cria negócio de 2 bilhões de dólares sem saber

Frustrada com o gosto amargo e os resíduos no café, Melitta Bentz usou um prego, uma caneca de latão e folha de papel para criar o método que revolucionou o consumo de café no mundo

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 23 de abril de 2026 às 18:00

Conheça a história de Melitta Bentz, a inventora que criou o primeiro filtro de papel em 1908 e fundou uma das marcas mais icônicas da história, presente nos lares brasileiros há mais de 50 anos
Conheça a história de Melitta Bentz, a inventora que criou o primeiro filtro de papel em 1908 e fundou uma das marcas mais icônicas da história, presente nos lares brasileiros há mais de 50 anos Crédito: Wikimedia Commons

Conhecida por ser uma das bebidas mais consumidas do mundo, beber o café antigamente nem sempre foi uma experiência limpa e cheia de prazer para saboreá-lo.

No início do século 20, quem preparava a bebida em casa precisava lidar com um grande problema: o pó que sobrava no fundo da xícara e o gosto excessivamente amargo resultante da fervura prolongada.

Porém, foi em Dresden, na Alemanha, que uma mulher chamada Melitta Bentz criou algo para deixar a bebida cada vez mais deliciosa: o filtro de café

De vilão a aliado: o café deixou de ser visto apenas como prejudicial e hoje é associado a benefícios, principalmente pelo alto teor de antioxidantes, com potencial efeito protetor cardiovascular e metabólico por Freepik

A invenção no improviso

A solução para um problema global nasceu de forma quase doméstica. Frustrada com os métodos da época, Melitta começou a experimentar na própria cozinha de casa.

Ela pegou uma caneca de latão, fez furos no fundo com um martelo e um prego e, para servir de filtro, utilizou um pedaço de papel mata-borrão retirado do caderno escolar de seu filho.

Melitta Bentz era amante de café e criou o filtro de papel para se livrar da borra que ficava após coar
Melitta e Hugo Bentz em 1897, em Dresden Crédito: Wikimedia Commons / CreativeCommons

Ao despejar a água quente sobre o pó depositado naquele papel improvisado, ela percebeu que o líquido escorria para a xícara de forma uniforme, livre de resíduos e com um sabor muito mais suave. Estava criado o primeiro filtro de café do mundo.

De casa ao império global

Além de ser uma inventora, Melitta também dominava o mundo dos negócios. Em junho de 1908, ela registrou a patente de sua invenção e, em dezembro do mesmo ano, fundou a empresa que leva seu nome, começando a produção em um quarto do apartamento da família com um capital inicial irrisório.

Melitta Bentz era amante de café e criou o filtro de papel para se livrar da borra que ficava após coar
O primeiro coador de papel foi feito com uma folha de papel e um latão furado com pregos Crédito: Wikimedia Commons / Melitta / Museu de Rotterdam / Reprodução

O sucesso foi imediato. Em 1909, após apresentar o produto na Feira de Leipzig, vendeu mais de 1.200 unidades. O negócio cresceu rapidamente, envolvendo o marido e os filhos na produção e nas entregas feitas em carrinhos de mão.

Nem mesmo as duas Guerras Mundiais, que forçaram a interrupção da produção e o racionamento de papel, conseguiram frear o avanço da marca, que em 1929 mudou sua sede para Minden, onde permanece até hoje.

Casa Ópera: fica na Rua Pernambuco, nº 280, Pituba. @casaopera por Reprodução

Um legado de vanguarda social

Além da inovação técnica, Melitta Bentz foi pioneira na gestão de pessoas. Em uma época em que direitos trabalhistas eram escassos, ela implementou benefícios como a semana de trabalho de cinco dias, férias anuais acima da média e bônus de Natal para seus funcionários.

Esse espírito empreendedor transformou a pequena oficina doméstica em um grupo internacional que hoje emprega mais de 5 mil pessoas e fatura bilhões de euros anualmente.

Pé-de-moleque com café (Imagem: Thais Ceneviva | ShutterStock) por Imagem: Thais Ceneviva | ShutterStock

O universo dos filtrados hoje

A ideia simples de 1908 abriu caminho para uma infinidade de métodos que os "coffee lovers" utilizam atualmente.

Se hoje podemos escolher entre o suporte clássico da Melitta, a elegância de uma Chemex ou a tecnologia japonesa da Hario V60, tudo começou com a inquietação de uma dona de casa que só queria uma xícara de café melhor.

No Brasil, o método de papel chegou oficialmente em 1968 e se tornou o favorito absoluto nos lares brasileiros, provando que a praticidade de Melitta Bentz atravessou fronteiras e gerações.