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A rã que pode matar 10 adultos com um toque tem apenas 5 cm e está entre os animais mais venenosos do mundo

A rã-flecha dourada ostenta o título de um dos animais mais venenosos da Terra

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 14 de abril de 2026 às 16:00

A rã-flecha dourada (Phyllobates terribilis) utiliza sua cor vibrante como um aviso biológico: apesar de medir apenas cinco centímetros, um único exemplar carrega veneno suficiente para matar dez adultos
A rã-flecha dourada (Phyllobates terribilis) utiliza sua cor vibrante como um aviso biológico: apesar de medir apenas cinco centímetros, um único exemplar carrega veneno suficiente para matar dez adultos Crédito: Wikimedia Commons/Wilfried Berns

Você sabia que existe uma rã do tamanho da sua mão que é totalmente venenosa? Conhecida como rã-flecha dourada (Phyllobates terribilis), o animal é o mais letal da Terra.

Diferente de cobras ou aranhas, que picam para injetar toxinas, essa rã mata pelo contato.

O bombeiro João Paulo Floriani, 44 anos, foi picado por uma aranha marrom enquanto trabalhava no jardim de sua casa e ficou internado por um período; ele morreu em meados de junho  por Reprodução/redes sociais

Com apenas um toque, a rã pode transferir a batracotoxina, um alcaloide potente que ataca o sistema nervoso. O resultado é tenebroso: uma paralisia muscular devastadora que atinge o coração e o diafragma, impedindo a respiração.

Estima-se que um único exemplar carregue veneno suficiente para matar dez seres humanos adultos.

O veneno "sequestrado"

O detalhe mais fascinante sobre a Phyllobates terribilis é que ela não nasce venenosa. Cientistas descobriram que, se criada em cativeiro e isolada de seu habitat natural, ela perde sua toxicidade. Isso acontece porque a rã "sequestra" o veneno de sua dieta.

Ao se alimentar de formigas e besouros que consomem fungos específicos, a rã absorve esses compostos e os armazena em glândulas na pele. É uma estratégia de sobrevivência eficiente, mas que levanta uma questão: como ela não morre com o próprio veneno?

A resposta está na evolução. Essas rãs possuem mutações genéticas que alteram os receptores de seus neurônios, impedindo que a toxina se ligue às suas células.

Caçadora e caça

A cor berrante da rã-flecha é o que a biologia chama de aposematismo: um sinal visual de perigo para afastar predadores. Por milênios, essa defesa foi respeitada por quase todos na natureza, com exceção de dois grupos.

O primeiro são os povos indígenas da Colômbia, como os Emberá. Eles aprenderam a passar as pontas de suas flechas e dardos de zarabatana na pele do anfíbio para garantir uma caça letal, o que deu origem ao nome popular "rã-flecha".

O segundo é a cobra Erythrolamprus epinephelus. Ela é, até onde a ciência sabe, o único animal que evoluiu resistência à batracotoxina, tornando-se a única predadora capaz de devorar a rã sem morrer no processo.

Futuro na medicina e risco de extinção

Embora seja uma das criaturas mais perigosas do planeta, a rã-flecha dourada pode ser a chave para novos tratamentos médicos. Em matéria feita pela National Geographic, os pesquisadores estudam suas toxinas para o desenvolvimento de analgésicos potentes.

Apesar de seu poder, a espécie enfrenta uma ameaça que seu veneno não pode deter: a destruição de seu habitat.

Restrita a pequenos trechos de floresta tropical na costa do Pacífico da Colômbia, a rã está classificada internacionalmente como ameaçada de extinção devido ao desmatamento.

Preservar esse pequeno anfíbio é, portanto, preservar um dos mecanismos biológicos mais complexos e intrigantes da natureza.