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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 10 de junho de 2026 às 12:12
A corrida pela inteligência artificial vai muito além da busca por novas tecnologias e aplicativos. Por trás dessa parte mais técnica, existe outra disputa silenciosa, mas essa é pela energia e água que alimentam esse grande sistema: a corrida dos data centers. >
Dentro dessa disputa, a América Latina se destaca pela alta concentração de recursos que permitem a instalação destes imensos complexos. Dessa forma, nações vizinhas disputam ferrenhamente os investimentos de gigantes da IA para instalação dos seus próprios data centers, especialmente o Brasil e o Paraguai.>
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Data centers são grandes instalações onde ficam servidores, sistemas de armazenamento, equipamentos de rede e estruturas de refrigeração. Na prática, eles formam a “base física” da internet, da computação em nuvem e da inteligência artificial.>
Com a IA generativa, esses espaços ficaram ainda mais importantes. Modelos avançados precisam de milhares de chips especializados para realizar as suas tarefas, e toda essa infraestrutura técnica é localizada nos data centers.>
Segundo relatório da Agência Internacional de Energia, os data centers consumiram cerca de 415 TWh de eletricidade em 2024. A projeção é que esse consumo mais que dobre até 2030, chegando perto de 945 TWh.>
Para medidas de comparação, os 415 TWh consumidos pelos data centers em 2024 equivalem a quase três quartos de toda a eletricidade usada pelo Brasil em um ano. Se a projeção de 945 TWh para 2030 se confirmar, esse gasto será maior que o consumo anual brasileiro inteiro. >
No Brasil, a Ascenty anunciou novos contratos voltados para inteligência artificial e a construção de quatro data centers na região de São Paulo. A empresa afirma que os projetos somam 150 MW de capacidade e são voltados para clientes globais de tecnologia.>
O principal destaque é o Sumaré 3, no interior paulista. Segundo comunicado da companhia, a unidade terá 90 MW de capacidade inicial, com previsão de expansão de mais 90 MW.>
O projeto terá 48 mil m² de área construída e foi concebido desde a origem para cargas de IA em larga escala. As obras começaram em março de 2026, com entrega prevista para o terceiro trimestre de 2027.>
O Brasil já tem vantagens importantes nessa corrida. O país possui um mercado consumidor grande, empresas usuárias de nuvem, redes de fibra, cabos submarinos e uma matriz elétrica com alta participação de fontes renováveis.>
Além disso, o governo federal afirma que o país concentra cerca de metade do mercado latino-americano de data centers. A previsão oficial é de R$ 60 bilhões a R$ 100 bilhões em investimentos no setor nos próximos quatro anos.>
Enquanto isso, o país hispânico aposta na sua alta produção hidrelétrica. A nação produz muito mais energia do que a infraestrutura paraguaia necessita; esse excedente é frequentemente vendido barato para outros países, como o Brasil.>
As novas diretrizes do país tendem a desviar esse excedente energético para o setor de data centers, em vez da exportação. O governo paraguaio assinou um acordo de cooperação com Taiwan para desenvolver um Centro de Cômputo de Inteligência Artificial Soberana. >
O projeto combina o excedente energético paraguaio com a experiência taiwanesa em semicondutores. Em fases futuras, a ideia é criar uma estrutura de maior escala, com participação binacional e atração de empresas internacionais.>
Além disso, o mercado repercutiu planos ligados à X8 Cloud, com projeções de até US$ 50 bilhões ao longo de 30 anos. Convertido, esse valor fica perto de R$ 250 bilhões, mas ainda representa uma ambição de longo prazo, não uma estrutura pronta.>