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A tecnologia que está no centro da 'guerra fria' entre Brasil e Paraguai e virou alvo de disputa na corrida por data centers

Brasil avança com data centers de alta densidade, enquanto Paraguai tenta transformar excedente hidrelétrico em uma nova vantagem tecnológica na América do Sul

  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 10 de junho de 2026 às 12:12

Projetos bilionários em São Paulo e no Paraguai mostram avanço do setor na América Latina
Projetos bilionários em São Paulo e no Paraguai mostram avanço do setor na América Latina Crédito: Reprodução / YouTube / Ascenty DC

A corrida pela inteligência artificial vai muito além da busca por novas tecnologias e aplicativos. Por trás dessa parte mais técnica, existe outra disputa silenciosa, mas essa é pela energia e água que alimentam esse grande sistema: a corrida dos data centers.

Dentro dessa disputa, a América Latina se destaca pela alta concentração de recursos que permitem a instalação destes imensos complexos. Dessa forma, nações vizinhas disputam ferrenhamente os investimentos de gigantes da IA para instalação dos seus próprios data centers, especialmente o Brasil e o Paraguai.

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Papel dos data centers

Data centers são grandes instalações onde ficam servidores, sistemas de armazenamento, equipamentos de rede e estruturas de refrigeração. Na prática, eles formam a “base física” da internet, da computação em nuvem e da inteligência artificial.

Com a IA generativa, esses espaços ficaram ainda mais importantes. Modelos avançados precisam de milhares de chips especializados para realizar as suas tarefas, e toda essa infraestrutura técnica é localizada nos data centers.

Interior de um data center localizado na Virginia, EUA
Interior de um data center localizado na Virginia, EUA Crédito: Christopher Bowns / Wikimedia Commons

Segundo relatório da Agência Internacional de Energia, os data centers consumiram cerca de 415 TWh de eletricidade em 2024. A projeção é que esse consumo mais que dobre até 2030, chegando perto de 945 TWh.

Para medidas de comparação, os 415 TWh consumidos pelos data centers em 2024 equivalem a quase três quartos de toda a eletricidade usada pelo Brasil em um ano. Se a projeção de 945 TWh para 2030 se confirmar, esse gasto será maior que o consumo anual brasileiro inteiro.

Plano brasileiro em São Paulo

No Brasil, a Ascenty anunciou novos contratos voltados para inteligência artificial e a construção de quatro data centers na região de São Paulo. A empresa afirma que os projetos somam 150 MW de capacidade e são voltados para clientes globais de tecnologia.

O principal destaque é o Sumaré 3, no interior paulista. Segundo comunicado da companhia, a unidade terá 90 MW de capacidade inicial, com previsão de expansão de mais 90 MW.

O projeto terá 48 mil m² de área construída e foi concebido desde a origem para cargas de IA em larga escala. As obras começaram em março de 2026, com entrega prevista para o terceiro trimestre de 2027.

A estimativa divulgada para o complexo de IA em Sumaré chega a R$ 30 bilhões, sendo R$ 6 bilhões em aporte da empresa e outros R$ 24 bilhões previstos em equipamentos dos futuros clientes
A estimativa divulgada para o complexo de IA em Sumaré chega a R$ 30 bilhões, sendo R$ 6 bilhões em aporte da empresa e outros R$ 24 bilhões previstos em equipamentos dos futuros clientes Crédito: Reprodução / YouTube / Ascenty DC

O que torna o Brasil competitivo

O Brasil já tem vantagens importantes nessa corrida. O país possui um mercado consumidor grande, empresas usuárias de nuvem, redes de fibra, cabos submarinos e uma matriz elétrica com alta participação de fontes renováveis.

Além disso, o governo federal afirma que o país concentra cerca de metade do mercado latino-americano de data centers. A previsão oficial é de R$ 60 bilhões a R$ 100 bilhões em investimentos no setor nos próximos quatro anos.

Essa posição ajuda essas instalações, pois elas não podem estar isoladas. E o Brasil oferece infraestrutura para conectá-los aos grandes centros urbanos
Essa posição ajuda essas instalações, pois elas não podem estar isoladas. E o Brasil oferece infraestrutura para conectá-los aos grandes centros urbanos Crédito: Boaventuravinicius / Wikimedia Commons

Dominância energética do Paraguai

Enquanto isso, o país hispânico aposta na sua alta produção hidrelétrica. A nação produz muito mais energia do que a infraestrutura paraguaia necessita; esse excedente é frequentemente vendido barato para outros países, como o Brasil.

As novas diretrizes do país tendem a desviar esse excedente energético para o setor de data centers, em vez da exportação. O governo paraguaio assinou um acordo de cooperação com Taiwan para desenvolver um Centro de Cômputo de Inteligência Artificial Soberana.

Segundo o MITIC, a primeira fase prevê 10 MW de capacidade e investimento próximo de US$ 300 milhões
Segundo o MITIC, a primeira fase prevê 10 MW de capacidade e investimento próximo de US$ 300 milhões Crédito: Galeria del Ministerio de Defensa del Perú / Wikimedia Commons

O projeto combina o excedente energético paraguaio com a experiência taiwanesa em semicondutores. Em fases futuras, a ideia é criar uma estrutura de maior escala, com participação binacional e atração de empresas internacionais.

Além disso, o mercado repercutiu planos ligados à X8 Cloud, com projeções de até US$ 50 bilhões ao longo de 30 anos. Convertido, esse valor fica perto de R$ 250 bilhões, mas ainda representa uma ambição de longo prazo, não uma estrutura pronta.

Tags:

Brasil Inteligência Artificial Tecnologia Paraguai