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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 8 de maio de 2026 às 05:00
Pela primeira vez, com grande nível de detalhes, um estudo conseguiu registrar uma placa tectônica se rompendo sob o oceano na costa da Ilha de Vancouver, no Canadá. A descoberta conseguiu mapear, de forma sem precedentes, uma zona de subducção em processo de fragmentação. >
Esse tipo de zona é uma região em que uma placa tectônica mergulha sob outra e ajuda a formar terremotos, vulcões e montanhas, sendo lentamente dissolvida no processo. Apesar de o processo ocorrer em escala geológica, ou seja, além dos limites temporais humanos, essa descoberta pode ajudar em eventos práticos.>
O fenômeno foi observado na região de Cascadia, no Pacífico Norte, onde as placas Juan de Fuca e Explorer se movimentam sob a placa norte-americana. O estudo publicado na revista Science Advances mostra que a microplaca Explorer está se separando de parte da antiga placa de Farallon.>
Brandon Shuck
geólogo da Universidade Estadual da Louisiana e autor principal do estudo, em entrevista ao LSUEsse processo é conhecido como rasgo de placa e ocorre em etapas. A placa menor está em lento processo de fragmentação, sendo empurrada para o interior do planeta Terra e, nesse processo, sendo dissolvida em magma.>
Devido ao estudo, os cientistas conseguiram uma projeção muito mais precisa sobre a 'morte' de uma placa tectônica.>
Zonas de subducção
Para mapear a área, os pesquisadores usaram uma técnica chamada reflexão sísmica, parecida com um ultrassom, mas aplicada ao fundo do mar. O navio de pesquisa Marcus G. Langseth enviou ondas sonoras em direção ao solo oceânico. Depois, sensores presos a um cabo de 15 quilômetros captaram os ecos que voltaram das camadas de rocha.>
Com esses dados, os cientistas reconstruíram imagens profundas da crosta terrestre. Elas revelaram falhas, fraturas e uma queda de cerca de 5 quilômetros em parte da placa.>
Zonas de subducção estão entre as áreas mais ativas do planeta. Nelas ocorrem alguns dos maiores terremotos, porque enormes blocos de rocha ficam presos e acumulam energia por muito tempo.>
Quando essa energia se solta, o impacto pode provocar abalos fortes e deslocar grandes volumes de água. Por isso, áreas de subducção também estão associadas ao risco de tsunamis. >
Esse novo artigo auxilia no entendimento de como funcionam essas áreas de subducção, o que pode auxiliar na medição de futuros eventos geológicos, como terremotos. >
Apesar disso, o estudo em Cascadia não aponta que existam riscos imediatos em escala humana.>