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Agência Correio
Raphael Miras
Publicado em 29 de abril de 2026 às 14:00
O futebol brasileiro sempre foi conhecido por exportar grandes talentos, mas agora, a estratégia é inversa. >
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) trabalha possibilidades para garantir que jovens promessas com dupla nacionalidade, criadas no exterior, escolham vestir a "amarelinha" antes que sejam seduzidas por seleções europeias. >
O foco não é apenas o ciclo de 2026, mas a construção de uma base sólida para a geração de 2030. Confira mais a seguir:>
A CBF monitora de perto dois nomes que hoje figuram nas categorias de base de gigantes do Velho Continente. O primeiro é Samuele Inácio, de 18 anos, meio-campista do Borussia Dortmund. >
Filho do ex-jogador brasileiro Piá, Inácio nasceu no Brasil, mas possui passaporte italiano e já foi destaque da Azzurra no Mundial Sub-17. >
Apesar disso, suas raízes brasileiras o tornam elegível para a Seleção, e a entidade busca convencê-lo de que seu futuro internacional deve ser no Brasil.>
O outro alvo prioritário é Bryan Bugarín, meia-armador de 17 anos do Real Madrid. Nascido na Espanha e filho de mãe brasileira, Bugarín é considerado uma das joias da base madrilenha, com uma multa rescisória que já atinge os 75 milhões de euros. >
A estratégia da CBF é integrar esses jovens o quanto antes às seleções de base para criar um vínculo de identidade com o projeto brasileiro.>
Essa busca por talentos não é por acaso. A comissão técnica da Seleção Brasileira, sob o comando de nomes como Carlo Ancelotti e Dorival Júnior, tem realizado giros frequentes pela Europa para observar atletas in loco e estreitar laços com os clubes. >
O coordenador Rodrigo Caetano destaca que essa proximidade é fundamental para entender o momento físico e tático de cada jogador, além de fortalecer a relação institucional da CBF no mercado europeu.>
Para apoiar essa internacionalização, a CBF inaugurou um escritório em Miami, nos Estados Unidos. A cidade foi escolhida por ser um centro estratégico de negócios do futebol e sede de entidades como FIFA e CONCACAF. >
O objetivo é que essa base facilite o contato com a comunidade brasileira no exterior e com potenciais parceiros comerciais, além de servir como ponto de apoio para todas as categorias da Seleção.>
A base dessa estratégia está no Centro de Pesquisa e Análise da Seleção Brasileira. Sob a coordenação do tetracampeão Branco, a CBF mantém uma lista de quase 10 mil jogadores monitorados, dos quais apenas os "tops" (cerca de 0,3%) são classificados como prioridade absoluta. Nomes como Endrick, Rodrygo e Matheus Martins já passaram por esse filtro rigoroso.>
A ideia é evitar que casos como os de Diego Costa, Thiago Alcântara, Pepe e Deco se repitam. Historicamente, o Brasil perdeu talentos que acabaram fazendo história em outras seleções europeias por falta de um monitoramento precoce ou de um plano de carreira convincente. >
Atualmente, o volante Andreas Pereira, nascido na Bélgica, é citado como um exemplo bem-sucedido de um atleta que escolheu defender a pátria de seus pais em vez de seu país de nascimento.>
Além da observação de campo, a CBF investe na formação de novos profissionais através da CBF Academy, que oferece cursos avançados de scouting e identificação de talentos. >
Treino da Seleção Brasileira
O programa ensina desde o uso de inteligência de dados e softwares especializados até a análise comportamental e psicológica dos atletas. >
É a profissionalização do olhar para garantir que o "celeiro" de craques brasileiro continue abastecido, venham eles de campos de terra no Brasil ou de academias de elite na Europa.>