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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 28 de maio de 2026 às 21:37
Se você já ouviu alguém falar “não vou ser substituído, essa tal de IA não consegue erguer uma parede ou virar massa”, essa pessoa pode estar bem errada. Um robô chamado Walter começa a mostrar como a construção civil pode mudar nos próximos anos. >
A máquina é capaz de levantar paredes, usar espuma adesiva no lugar da argamassa e reduzir tarefas pesadas no canteiro. A tecnologia, conhecida como WLTR, já aparece em obras na Europa.>
Construção civil - quanto ganham
O Walter é um robô de alvenaria criado para assentar blocos seguindo um modelo virtual da parede. Antes de começar, ele usa sensores e laser para se alinhar. Depois, pega os blocos, aplica o material de fixação e posiciona cada peça.>
Segundo a GreenBuild, empresa ligada ao projeto, o robô pode entregar cerca de 10 m² de alvenaria por hora e alcançar paredes de até 3,5 metros. A máquina também identifica blocos danificados e avisa o operador quando há necessidade de ajuste.>
O robô ganhou destaque no Reino Unido em meio à falta de profissionais qualificados. O governo britânico quer ampliar a construção de moradias, mas o setor enfrenta escassez de trabalhadores em funções braçais, como a construção e carpintaria.>
Jan Telensky, CEO e fundador da JT Lifestyle Homes, resumiu o problema à Reuters: "Quando fiz a pesquisa, a idade média de um pedreiro no Reino Unido era de 46 anos, o que significa, e ninguém está aprendendo isso. Então, daqui a 20 anos, quem vai construir as casas se você precisar de um pedreiro?">
Por isso, o Walter aparece como solução complementar. Ele pode assumir a parte repetitiva da alvenaria, enquanto profissionais humanos ficam com a supervisão e o acabamento>
A principal mudança está no ritmo da obra. Como o robô segue um desenho digital, a parede tende a sair mais uniforme. Com isso, erros de alinhamento podem diminuir, o desperdício cai e o cronograma fica mais previsível.>
Também há impacto na segurança. Ao erguer paredes mais altas sem andaimes em certas etapas, o sistema reduz parte do trabalho em altura. Mesmo assim, a obra segue exigindo supervisão, treinamento e regras claras de circulação de pessoas.>
A resposta mais honesta é: em parte das tarefas, sim. Porém, isso não significa acabar com o pedreiro. Significa tirar da rotina uma fatia do trabalho manual mais repetitivo, principalmente em paredes padronizadas e obras bem planejadas.>
Em reformas, terrenos difíceis, casas antigas, acabamento fino e correções de última hora, a mão humana continua decisiva. A construção civil raramente acontece em ambiente perfeito, por isso a experiência de obra ainda pesa muito.>
Um estudo publicado em 2024 no Journal of Open Innovation analisou a substituição de parte da força de trabalho por robôs na construção. O resultado indica que a produtividade melhora quando a máquina assume tarefas repetitivas. Porém, com o auxílio de profisisionais especializados.>