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Agência Correio
Raphael Miras
Publicado em 5 de abril de 2026 às 16:00
Enquanto hoje a criação de filhos parece um exercício de monitoramento 24h e agendas cronometradas, especialistas estão olhando pelo retrovisor. Eles querem entender por que as gerações de 1960 e 1970 se tornaram tão resilientes. >
O que hoje o Instagram chamaria de "descuido", na época era apenas a vida como ela é: crianças com autonomia total para explorar o bairro e, acima de tudo, para resolver seus próprios B.Os.>
Sangue - o grupo sanguíneo e a longevidade dos centenários
O segredo da força emocional daqueles adultos morava nas brincadeiras de rua, longe do olhar atento dos pais. Psicólogos usam o termo “negligência benigna” para explicar esse distanciamento saudável. >
Funciona assim: sem um adulto por perto para apitar a falta ou mediar o conflito, a molecada era obrigada a aprender a arte da negociação e a engolir o choro sozinha.>
Quem não se lembra (ou ouviu falar) das “crianças de chave no pescoço”? Elas voltavam da escola, esquentavam o almoço e gerenciavam o próprio tempo até o pôr do sol. Esse cenário forçava um amadurecimento na marra. A frustração era resolvida ali mesmo, no meio da calçada, sem o "colo imediato" que hoje impede o aprendizado do erro.>
Lidar com a rejeição do grupo, o medo do escuro ou o joelho ralado sem ter um guardião por perto criava o que chamamos de “calos emocionais”. Esses escudos invisíveis permitiram que, décadas depois, esses indivíduos enfrentassem as crises da vida adulta sem desmoronar ou paralisar diante da ansiedade.>
A ciência assina embaixo. Estudos de Harvard mostram que o brincar livre — aquele sem regras de adultos — é o melhor combustível para a saúde mental. Ao vencer um desafio sem esperar o "parabéns" de ninguém, a criança aprendia a lição mais valiosa de todas: ela podia confiar em si mesma.>
Hoje, o cenário é o oposto. Entre telas e o medo (compreensível) da violência, transformamos a infância em um evento controlado. A psiquiatria alerta: quando os pais correm para resolver qualquer desconforto do filho, eles "roubam" do cérebro da criança a chance de criar anticorpos contra o estresse.>
O resultado? Uma geração que, embora mais segura fisicamente, se sente fragilizada internamente. É a ironia do cuidado: ao tentar proteger de tudo, podemos estar desarmando nossos filhos para o mundo real.>
Calma, ninguém está sugerindo soltar crianças de cinco anos em avenidas movimentadas. O segredo é adaptar a essência daquela liberdade. Algumas dicas práticas:>
Amadurecer exige um equilíbrio delicado entre o afeto e a liberdade para falhar. No fim das contas, a resiliência é como um músculo: ela só cresce se for colocada à prova.>