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Agência Correio
Matheus Ribeiro
Publicado em 16 de abril de 2026 às 13:00
Cultivar uma fruta parece, à primeira vista, um gesto simples: plantar, cuidar e colher. Mas algumas variedades chegam ao pomar cercadas por regras que o consumidor nem imagina, num mercado em que a muda vale quase tanto quanto o fruto. >
Foi isso que colocou a nectarina Nectadiva no centro de um caso que chamou atenção fora do Brasil. Na Espanha, um agricultor foi investigado após manter cerca de 5 mil árvores da variedade em três áreas, sem autorização e sem o pagamento dos royalties exigidos.>
Novela das frutas virou febre na internet
O episódio chama atenção pela multa, mas por trás das frutas premium, existe um mercado discreto e altamente controlado, movido por genética, pesquisa, licenças e exploração comercial.>
Variedades como a Nectadiva não ganham valor apenas pelo nome. Elas são desenvolvidas para atender ao mercado com atributos que pesam na decisão de compra, como firmeza, vida útil longa, boa aparência e sabor mais estável depois da colheita.>
Nesse contexto, a fruta não é só mais um alimento, mas sim um verdadeiro ativo agrícola. Quem desenvolve a variedade busca proteger o investimento e controlar quem pode multiplicar, plantar e vender aquele material de forma comercial.>
A investigação espanhola resumiu esse ponto de forma direta: “O processo envolveu a reprodução e o condicionamento de variedades vegetais protegidas por meio de enxertia ou inoculação, sem o consentimento dos detentores dos títulos de proteção”.>
O detalhe mais importante não está só no fruto exposto na banca, mas na origem da muda. No Brasil, a proteção de cultivares garante ao titular exclusividade sobre a produção e a comercialização do material de propagação, como sementes e mudas.>
Isso ajuda a entender por que viveiros autorizados, licenças e contratos ganharam tanto peso no setor. Em cultivares valorizadas, o negócio começa antes da colheita: começa na autorização para multiplicar a planta e colocá-la em circulação.>