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Helena Merencio
Agência Correio
Publicado em 25 de maio de 2026 às 17:17
Uma dose pequena no copo pode virar um impacto grande no cérebro. Vodca, uísque, tequila e cachaça entram no alerta porque concentram mais álcool e, em episódios de abuso, podem acelerar efeitos que vão muito além da ressaca.>
Quem faz o alerta é o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola. Para ele, o ponto central está no etanol, substância presente em todas as bebidas alcoólicas que é responsável pela toxicidade cerebral.>
O dado chama ainda mais atenção diante de um cenário curioso. O 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostrou que menos brasileiros têm bebido.>
Entre os que ainda consomem álcool, porém, o padrão de uso abusivo continua alto. Essa combinação reduz o número de consumidores, mas mantém um risco importante para quem bebe em excesso.>
Destilados costumam ter teor alcoólico mais alto do que outras bebidas. Por isso, opções como vodca, uísque, tequila e cachaça podem representar maior risco em episódios agudos.>
Victor Hugo, especialista em neurocirurgia endovascular e neurorradiologia intervencionista, explica que essas bebidas favorecem uma intoxicação mais rápida, desidratação mais forte e picos maiores de álcool no sangue.>
Esse pico é uma parte importante do problema. Quando o álcool sobe depressa, funções essenciais do cérebro podem ser afetadas em pouco tempo.>
Durante episódios de consumo abusivo, o neurocirurgião cita riscos que envolvem comportamento, coordenação e quadros graves. Entre eles estão:>
Nada disso transforma um único tipo de bebida no único vilão. Mesmo assim, o maior teor alcoólico dos destilados torna o exagero mais perigoso, especialmente quando a pessoa perde a noção da velocidade com que o álcool está agindo.>
Trocar o destilado por outro tipo de bebida não elimina o risco. Cerveja, vinho e destilados têm etanol, e é essa substância que causa toxicidade ao cérebro.>
A Organização Mundial da Saúde reforça que nenhuma dose de álcool é segura para o corpo humano. Bebidas alcoólicas também podem provocar inflamação e afetar a saúde de forma geral.>
Por isso, o alerta sobre vodca, uísque e cachaça não serve para “liberar” outras bebidas. Ele apenas mostra que, nos destilados, a concentração maior pode acelerar os efeitos em episódios de abuso.>
álcool
O problema não termina quando passa a embriaguez. Em consumo crônico e frequente, independentemente da bebida escolhida, o álcool pode provocar alterações estruturais no cérebro.>
Victor Hugo, titulado pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), cita três efeitos principais associados ao uso prolongado:>
Esse é o ponto que torna a discussão mais séria. O impacto do álcool não aparece apenas na ressaca, na tontura ou na perda de reflexos. Quando o consumo se repete com frequência, o cérebro também pode pagar essa conta. >
Bebidas populares no Brasil e seu teor alcóolico
O vinho tinto costuma aparecer ligado a possíveis efeitos cardiovasculares por causa de compostos antioxidantes. Ainda assim, o neurocirurgião faz uma ressalva importante.>
Essa associação não significa proteção para o cérebro quando existe consumo em excesso.>
“O álcool continua sendo neurotóxico”, afirma Victor Hugo.>
Vodca, uísque, tequila e cachaça preocupam porque podem fazer o álcool chegar ao sangue de forma mais intensa em episódios de abuso. Com isso, aumentam os riscos de intoxicação rápida, desidratação e alterações no cérebro.>
Mesmo bebidas consideradas “mais leves” continuam carregando etanol. A diferença é que os destilados concentram mais álcool e, por isso, exigem atenção redobrada.>
Você já tinha parado para pensar que uma dose pequena no copo poderia ter um efeito tão grande no cérebro?>