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Barco elétrico voa a meio metro sobre as águas, navega 105 km em silêncio total e impressiona com asas submersas

Candela C-8 usa hidrofólios para erguer o casco, reduzir o atrito com a água e ampliar a eficiência da navegação elétrica

  • Foto do(a) author(a) Helena Merencio
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Helena Merencio

  • Agência Correio

Publicado em 20 de maio de 2026 às 11:11

Ao erguer o casco acima da superfície, o barco reduz o contato direto com a água e ganha eficiência
Ao erguer o casco acima da superfície, o barco reduz o contato direto com a água e ganha eficiência Crédito: Divulgação/Candela

Em terra firme, falar de veículo elétrico quase sempre leva à mesma conversa: bateria maior, recarga mais rápida e autonomia mais longa. No mar, a equação muda. Antes de pensar apenas em armazenar energia, uma embarcação precisa enfrentar uma força muito mais teimosa: a resistência da água.

Foi esse obstáculo que a sueca Candela, startup sediada em Estocolmo, tentou contornar com o Candela C-8. Em vez de apostar só em uma bateria maior, o barco usa hidrofólios, estruturas parecidas com asas submersas, para levantar o casco acima da superfície durante a navegação.

Quando a lancha atinge 30 km/h, essas asas entram em ação e elevam a embarcação em cerca de 50 centímetros. A partir daí, o casco deixa de empurrar tanta água e passa a deslizar com muito menos contato direto com a superfície.

Hidrofólios já são usados há décadas, mas agora aparecem como solução para reduzir consumo em embarcações elétricas por Divulgação/Candela

Na prática, essa mudança reduz a resistência da água em 80% na comparação com lanchas comuns. Para um barco elétrico, isso faz diferença porque cada trecho de atrito a menos significa menos energia desperdiçada e mais autonomia disponível.

Hidrofólios mudam o barco

Lanchas convencionais em alta velocidade precisam vencer um arrasto enorme. Esse esforço consome rapidamente a carga das baterias e torna o uso elétrico mais limitado, especialmente em trajetos longos.

A partir dos hidrofólios, o Candela C-8 troca parte dessa briga contra a água por sustentação. O movimento lembra o de uma asa de avião, só que funcionando debaixo da superfície.

A experiência a bordo também muda. Como o casco deixa de bater diretamente contra a água o tempo todo, a navegação tende a ficar mais silenciosa, estável e suave, sem depender do ruído típico de motores a combustão.

Computador que controla o voo

Levantar um barco sobre hidrofólios parece simples quando visto de fora, mas exige correções constantes. O piloto não conseguiria fazer todos esses ajustes sozinho, principalmente em ondas, curvas e mudanças de vento.

Por isso, o C-8 usa um sistema chamado Flight Controller. Esse computador de bordo monitora a navegação 100 vezes por segundo e ajusta a posição dos hidrofólios em tempo real.

Entre os dados avaliados estão a altura das ondas, a velocidade do vento na parte frontal e lateral da embarcação e o ângulo do barco durante curvas ou marés mais intensas.

Essas correções fazem a Candela afirmar que as forças g sentidas pelos passageiros caem 90%. Em águas rasas, o sistema também recolhe automaticamente os hidrofólios para evitar danos no fundo.

Bateria de carro elétrico no mar

Outra parte importante do projeto veio da indústria automotiva. O Candela C-8 usa uma bateria de 69 kWh da Polestar, a mesma plataforma de energia presente no carro elétrico Polestar 2.

Esse conjunto permite que a embarcação alcance 57 milhas náuticas de autonomia, cerca de 105 km/h, navegando a 22 nós. Em um percurso equivalente, modelos a gasolina consumiriam quase 750 litros de combustível fóssil.

Na recarga, a lógica também se aproxima da dos carros elétricos. Em uma estação rápida de corrente contínua, o barco pode ir de 10% a 80% de carga em 35 minutos. Segundo dados oficiais de engenharia da Candela, esse processo custa cerca de 110 euros em eletricidade.

Do passeio ao transporte público

Apesar do apelo no mercado de lazer, a tecnologia não ficou restrita ao C-8. A Candela também desenvolveu o P-12 Shuttle, uma balsa elétrica pensada para transportar passageiros em rotas urbanas.

No arquipélago de Estocolmo, a operação oficial dessa balsa aumentou a capacidade de transporte em 15%. A comparação com grandes navios a diesel também mostra outro impacto: os custos de manutenção caíram 60%.

O funcionamento da P-12 foi detalhado em reportagem em vídeo do canal Olhar Digital, que mostrou como a balsa comercial “voa” sobre as águas ao usar a mesma lógica dos hidrofólios.

Números do Candela C-8

O Candela C-8 tem 8,5 metros de comprimento e pesa 1.850 kg. A potência vem do sistema Candela C-Pod de 50 kW, desenvolvido para trabalhar com o conjunto elétrico da embarcação.

Na configuração de transporte, a lancha comporta oito passageiros, incluindo o piloto. Já a recarga rápida pode ser feita em estação de 135 kW, com tempo estimado de 35 minutos.

Tags:

Tecnologia