Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 29 de maio de 2026 às 11:11
Talvez você já tenha lidado com uma pilha de pelo do seu cachorro felpudo, mas já pensou em usá-lo para fazer roupas? Esse estranho e fofo insumo é conhecido como lã-de-cachorro (chiengora) e é mais tradicional do que parece.>
No passado distante, alguns povos, como os siberianos nenets e os americanos Salish, tinham tradições na tecelagem dessa lã. Porém, se você acha que isso ficou apenas no passado, está errado.>
Q.I. do cão: veja as raças de cachorros mais inteligentes
Um dos casos mais emblemáticos é o da tecelã americana Marion Wheatland, que trabalha com artesanato memorial. Se você ama muito seu cão, ou não conseguiu se despedir dele, por que não fazer um casaco para estar sempre com ele?>
Essa é a proposta de sua linha de comércio artesanal: cachecol de samoieda, moletom de husky ou luvas feitas com pelo de poodle. A ideia vendida por ela era transformar o animal em uma lembrança vestível, quase como uma joia afetiva.>
Porém, essa tecelagem não fica restrita aos pequenos produtores e artesãos. Uma startup alemã, a Modus Intarsia, surgiu justamente com a ideia de utilizar o subpelo escovado de cães como insumo sustentável para substituir a caxemira e o angorá.>
Porém, nenhuma manifestação moderna desse hábito chega perto dos antigos Coast Salish, que viviam no Canadá e no norte dos EUA. Esse povo originário tinha forte tradição na tecelagem com lã-de-cachorro.>
Diferentemente dos samoiedas, essa raça era mantida justamente para a tosa, principalmente para a confecção de tapetes cerimoniais e roupas. A genética da raça foi tão valorizada que cientistas modernos conduziram uma pesquisa para reconstruir sua linhagem a partir do único exemplar preservado: o pequeno Mutton.>
Com a industrialização e a mudança no estilo de vida dos povos indígenas, a função da raça foi desaparecendo, e ela acabou extinta. Porém, existem tentativas de reviver essa prática ancestral.>
A artista Debra Qasen Sparrow, em 2024, anunciou o desenvolvimento de um cobertor de lã-de-cachorro, com financiamento do Conselho de Artes do Canadá. Porém, desta vez, usando pelo de cães modernos, como huskies e samoiedas.>