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Mortos por radiação, negligência e famílias devastadas: relembre o caso Césio 137 que inspirou série da Netflix

Caso resultou em dezenas de vítimas, além de mortes por causa de material radioativo

  • Foto do(a) author(a) Felipe Sena
  • Felipe Sena

Publicado em 18 de março de 2026 às 17:01

Material radioativo causou vários problemas
Material radioativo causou vários problemas Crédito: Reprodução | Agência Senado

Na década de 1980, 19 gramas de um pó azul brilhante gerou toneladas de lixo e o maior desastre radioativo do mundo fora de uma usina, em Goiânia. O caso que aconteceu há anos atrás, conhecido como Césio 137, se refere ao 137Cs, um isótopo radioativo artificial do Césio, com comportamento no ambiente, semelhante ao do potássio e outros metais alcalinos, podendo ser encontrado em animais e plantas. Sua meia vida física é de cerca de 33 anos.

A história que se transformou na série “Emergência Radioativa”, que estreou nesta quarta-feira (18), na Netflix começou no dia 19 de setembro de 1987, quando os catadores de material reciclável Roberto dos Santos Alves e Wagner Mota Pereira encontraram um pela de aço de um terreno abandonado onde funcionava o Instituto Goiano de Radioterapia, a desmontaram e a venderam no ferro velho de Devair Alves Ferreira.

Produção da Netflix por Reprodução | Netflix

Após isso, partículas radioativas de Césio 137, que estavam dentro da estrutura de aço, começaram a se espalhar e contaminar dezenas de pessoas. A história é recontada através da série da Netflix, estrelada por Johnny Massaro, Ana Costa, Paulo Gorgulho e outros. A direção geral é de Fernando Coimbra e a criação é de Gustavo Lipsztein.

Quando desmontada. Devair chegou a dar o pó azul de presente para vários familiares, sem fazer ideia que eram radioativas. Pouco depois, todos começaram a vomitar e ter diarréia, inclusive a esposa dele, Maria Gabriela Ferreira. Desconfiada, ela levou a peça para a Vigilância Sanitária e foi internada.

Na época, o físico Walter Ferreira foi chamado e confirmou que a sucata era radioativa. Nesse momento, dezenas de pessoas já apresentaram sintomas como queimaduras, perda de cabelo, tonturas, vômitos e diarréias. Uma das contaminadas era a menina Leide das Neves, de 6 anos, sobrinha de Devair e Maria Gabriela, que engoliu o pó brilhante.

A criança foi a que mais apresentou radiação no corpo e chegou a ser transferida para um hospital no Rio de Janeiro, juntamente com a tia e outros contaminados. Ambas morreram no dia 23 de outubro de 1987.

Os funcionários do ferro-velho Israel Batista dos Santos, de 20 anos, Admilson Alves de Souza, de 18 anos, morreram nos dias 27 e 28 de outubro, respectivamente. Apesar das quatro vítimas, a Associação de Vítimas do Césio 137 apontou outras 60 e pelo menos 1,6 mil pessoas afetadas pela exposição ao material.

A descontaminação das casas, ruas e bairros produziu toneladas de lixo, depositado em dezenas de contêineres, enterrados sob uma parede de um metro de espessura de concreto e chumbo, no município de Abadia de Goiás.

Cinco profissionais do Instituto Goiano de Radioterapia foram condenados por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, pela negligência com os aparelhos. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que supervisiona os equipamentos de radiologia no país, teve que pagar R$ 1 milhão no atendimento às vítimas.

Tags:

Netflix Série