Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Cidade brasileira onde 80% dos moradores falam dialeto italiano preserva casarões centenários e tem culinária colonial

Na Serra Gaúcha, Antônio Prado preserva casario, tem culinária colonial e moradores falam talian, dialeto ligado à imigração italiana

  • Foto do(a) author(a) Helena Merencio
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Helena Merencio

  • Agência Correio

Publicado em 25 de maio de 2026 às 11:11

: Casarões de madeira preservam a herança dos imigrantes italianos em Antônio Prado
: Casarões de madeira preservam a herança dos imigrantes italianos em Antônio Prado Crédito: Reprodução/Ministério do Turismo do Brasil

Em uma cidade da Serra Gaúcha, 8 em cada 10 moradores ainda falam um dialeto ligado à imigração italiana.

Nas ruas de Antônio Prado, o “bom dia” pode soar como “bondì”, expressão em talian que atravessou gerações e segue viva em conversas de padaria, feiras, missas e calçadas.

Massas artesanais, polenta e pratos coloniais ajudam a contar a história italiana de Antônio Prado também pela gastronomia por Reprodução/Turismo Antônio Prado

O município tem pouco mais de 13 mil habitantes e fica a 658 metros de altitude. Além da língua, guarda o maior acervo arquitetônico da imigração italiana no Brasil, com 47 edificações tombadas e casarões de madeira erguidos entre o fim do século XIX e a primeira metade do século XX.

Em 2025, Antônio Prado foi reconhecida pela ONU Turismo como uma das melhores vilas turísticas do mundo, sendo a única brasileira entre 52 selecionadas.

Por que o talian sobreviveu?

A resposta passa pelo isolamento geográfico. O mesmo fator que limitou parte do crescimento econômico local ajudou a preservar casas, costumes e a língua dos descendentes de imigrantes.

Misturando falares do norte da Itália com o português, o talian foi incluído em 2014 no Inventário Nacional da Diversidade Linguística, o INDL. Para Antônio Prado, essa presença aparece na rotina e dá ao destino um traço cultural raro no país.

Como a cidade nasceu

Fundada em 1886, Antônio Prado surgiu como a sexta e última colônia italiana da Serra Gaúcha. O povoado se formou às margens do Rio das Antas, em uma região ocupada por famílias vindas do norte da Itália.

Para erguer a comunidade, os imigrantes abriram caminho pela mata e construíram casas com técnicas trazidas da Europa. Já o traçado das ruas seguiu um desenho quadriculado, inspirado no padrão usado por engenheiros militares do século XIX.

Desde 1990, o conjunto arquitetônico e urbanístico é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. Entre os detalhes mais marcantes estão os lambrequins, recortes de madeira que decoram os beirais dos casarões.

O que ver no centro

Uma caminhada de cerca de duas horas permite conhecer boa parte do centro histórico. As construções tombadas ficam principalmente ao redor da Praça Garibaldi e ao longo da avenida principal, onde funcionam cafés, bistrôs, museus e lojas de produtos coloniais.

Entre os pontos do roteiro estão:

  • Casa da Neni, construída em 1910 e primeiro imóvel tombado da cidade;
  • Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, erguida entre 1891 e 1897;
  • Casa Grezzana, construção do início do século XX ligada ao patrimônio local;
  • Monumento Leão de São Marcos, réplica do símbolo da República de Veneza;
  • Sociedade Pradense de Mútuo Socorro, prédio de 1912 ligado à história da imigração.

O que há fora dali

No interior do município, chamado pelos moradores de “colônia”, aparecem paisagens rurais, religiosidade e pontos de natureza. A 6 km do centro, as Cascatas da Usina têm quedas d’água, três mirantes e guardam a memória da primeira hidrelétrica de Antônio Prado, iniciada na década de 1920.

Pelas estradas, capitéis religiosos revelam a devoção herdada dos colonizadores. Outro ponto de visitação é a Gruta Natural de Nossa Senhora de Lourdes, frequentada por fiéis desde os anos 1930.

O que comer

A mesa pradense conserva receitas de família. Entre os pratos aparecem sopa de capeletti, polenta brustolada, galeto, radicci com bacon, grostoli e vinho colonial servido em jarra.

Na Linha 21 de Abril, a brachola com polenta e bacon frito ganhou destaque após ser eleita o melhor prato italiano do Brasil no programa “Minha Receita”, do chef Erick Jacquin, na Band.

Em novembro, a cidade recebe a FenaMassa, Festival Nacional da Massa. Agosto também tem programação típica com a Noite Italiana, marcada por jantar, música ao vivo e dança.

Como chegar?

Antônio Prado fica a cerca de 180 km de Porto Alegre, com acesso pela RS-122. De carro, a viagem costuma levar entre 2h30 e 3h, dependendo da rota e das condições do trajeto.

Partindo de Caxias do Sul, são cerca de 50 km, com ônibus intermunicipais em circulação regular. Entre casarões centenários, culinária colonial e talian ouvido nas ruas, Antônio Prado preserva uma parte da imigração italiana que continua viva no interior do Brasil.

Você visitaria uma cidade brasileira onde a arquitetura, a comida e até o jeito de dizer “bom dia” carregam a memória dos imigrantes italianos?

Tags:

Turismo