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Helena Merencio
Agência Correio
Publicado em 25 de maio de 2026 às 11:11
Em uma cidade da Serra Gaúcha, 8 em cada 10 moradores ainda falam um dialeto ligado à imigração italiana. >
Nas ruas de Antônio Prado, o “bom dia” pode soar como “bondì”, expressão em talian que atravessou gerações e segue viva em conversas de padaria, feiras, missas e calçadas.>
Antônio Prado
O município tem pouco mais de 13 mil habitantes e fica a 658 metros de altitude. Além da língua, guarda o maior acervo arquitetônico da imigração italiana no Brasil, com 47 edificações tombadas e casarões de madeira erguidos entre o fim do século XIX e a primeira metade do século XX. >
Em 2025, Antônio Prado foi reconhecida pela ONU Turismo como uma das melhores vilas turísticas do mundo, sendo a única brasileira entre 52 selecionadas.>
A resposta passa pelo isolamento geográfico. O mesmo fator que limitou parte do crescimento econômico local ajudou a preservar casas, costumes e a língua dos descendentes de imigrantes.>
Misturando falares do norte da Itália com o português, o talian foi incluído em 2014 no Inventário Nacional da Diversidade Linguística, o INDL. Para Antônio Prado, essa presença aparece na rotina e dá ao destino um traço cultural raro no país.>
Fundada em 1886, Antônio Prado surgiu como a sexta e última colônia italiana da Serra Gaúcha. O povoado se formou às margens do Rio das Antas, em uma região ocupada por famílias vindas do norte da Itália.>
Para erguer a comunidade, os imigrantes abriram caminho pela mata e construíram casas com técnicas trazidas da Europa. Já o traçado das ruas seguiu um desenho quadriculado, inspirado no padrão usado por engenheiros militares do século XIX.>
Desde 1990, o conjunto arquitetônico e urbanístico é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. Entre os detalhes mais marcantes estão os lambrequins, recortes de madeira que decoram os beirais dos casarões.>
Uma caminhada de cerca de duas horas permite conhecer boa parte do centro histórico. As construções tombadas ficam principalmente ao redor da Praça Garibaldi e ao longo da avenida principal, onde funcionam cafés, bistrôs, museus e lojas de produtos coloniais.>
Entre os pontos do roteiro estão:>
No interior do município, chamado pelos moradores de “colônia”, aparecem paisagens rurais, religiosidade e pontos de natureza. A 6 km do centro, as Cascatas da Usina têm quedas d’água, três mirantes e guardam a memória da primeira hidrelétrica de Antônio Prado, iniciada na década de 1920.>
Pelas estradas, capitéis religiosos revelam a devoção herdada dos colonizadores. Outro ponto de visitação é a Gruta Natural de Nossa Senhora de Lourdes, frequentada por fiéis desde os anos 1930.>
A mesa pradense conserva receitas de família. Entre os pratos aparecem sopa de capeletti, polenta brustolada, galeto, radicci com bacon, grostoli e vinho colonial servido em jarra.>
Na Linha 21 de Abril, a brachola com polenta e bacon frito ganhou destaque após ser eleita o melhor prato italiano do Brasil no programa “Minha Receita”, do chef Erick Jacquin, na Band.>
Em novembro, a cidade recebe a FenaMassa, Festival Nacional da Massa. Agosto também tem programação típica com a Noite Italiana, marcada por jantar, música ao vivo e dança.>
Antônio Prado fica a cerca de 180 km de Porto Alegre, com acesso pela RS-122. De carro, a viagem costuma levar entre 2h30 e 3h, dependendo da rota e das condições do trajeto.>
Partindo de Caxias do Sul, são cerca de 50 km, com ônibus intermunicipais em circulação regular. Entre casarões centenários, culinária colonial e talian ouvido nas ruas, Antônio Prado preserva uma parte da imigração italiana que continua viva no interior do Brasil.>
Você visitaria uma cidade brasileira onde a arquitetura, a comida e até o jeito de dizer “bom dia” carregam a memória dos imigrantes italianos?>