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Helena Merencio
Agência Correio
Publicado em 10 de junho de 2026 às 21:15
Antes de aparecer o sol, Piatã já desafia uma imagem comum da Bahia. No alto da Chapada Diamantina, a cidade amanhece envolta por neblina, registra temperaturas baixas durante o inverno e transformou o café produzido nas montanhas em uma de suas maiores referências. Não por acaso, é conhecida como a cidade mais alta e mais fria do Nordeste brasileiro. >
Localizado a 1.280 metros de altitude, entre a Serra da Tromba e a Serra da Santana, o município já registrou temperaturas próximas de 1°C nas madrugadas de julho. >
Piatã
O relevo ajuda a criar um microclima incomum para a região, com média anual abaixo dos 20°C, além de geadas, neblina densa e noites frias que contrastam com a paisagem normalmente associada ao interior nordestino.>
O clima diferenciado não é o único motivo que atrai visitantes. Piatã também ganhou projeção nacional e internacional pela qualidade dos cafés produzidos por pequenos agricultores familiares. >
Grãos cultivados no município já conquistaram a Cup of Excellence, considerada a principal competição do setor no mundo.>
Essa tradição pode ser conhecida de perto em propriedades abertas à visitação. Além de acompanhar etapas do cultivo e da produção, os turistas participam de degustações e entendem como o café percorre o caminho da lavoura até a xícara.>
As fazendas Taperinha e Café do João estão entre as que recebem visitantes. Os passeios guiados incluem explicações sobre o processo produtivo e diferentes métodos de preparo da bebida. >
O valor costuma variar entre R$ 70 e R$ 80 por pessoa, com agendamento prévio.>
As cachoeiras figuram entre os principais atrativos naturais da cidade. Patrício, Cochó, Encontro das Águas e Bica do Machado estão entre as mais procuradas por quem deseja explorar as paisagens da região.>
Para os adeptos de caminhadas, a Serra da Santana oferece trilhas e mirantes naturais com vista para cadeias de morros e para a própria cidade. Vista do alto, Piatã parece uma pequena maquete cercada pelas montanhas da Chapada.>
Outro passeio que chama atenção fica na Serra do Gentil, a menos de meia hora do centro. O local abriga pinturas rupestres datadas entre 10 mil e 12 mil anos, com representações de animais, rituais e cenas do cotidiano de povos que viveram na região durante o Paleolítico. A entrada é gratuita.>
O período entre junho e agosto concentra o maior número de visitantes. As baixas temperaturas, as festas juninas e o clima serrano transformam o inverno na estação mais procurada.>
Já no verão, as chuvas aumentam o volume das cachoeiras e deixam a vegetação ainda mais verde. Por isso, a cidade oferece experiências diferentes ao longo do ano.>
Piatã está a 563 quilômetros de Salvador. O acesso pela capital baiana é feito pelas BRs 324 e 242, passando por Feira de Santana, Itaberaba e Lençóis. O aeroporto mais próximo com voos regulares é o de Salvador, de onde é possível seguir de carro ou transfer. Grande parte do percurso é asfaltada.>
Apesar do tamanho reduzido, a cidade conta com hospedagens bem avaliadas. A Pousada Museu de Piatã reúne quartos com ar-condicionado e frigobar, além de café, biblioteca, coleção de vinis e um pequeno museu regional. Já a Pousada Piatã se destaca pelo terraço com vista para a cidade. Nas duas, as diárias costumam variar entre R$ 200 e R$ 400, com café da manhã incluído.>
Quem pretende viajar no inverno deve reservar a hospedagem com antecedência e levar agasalhos adequados. Nas madrugadas, a sensação térmica costuma surpreender até visitantes acostumados a percorrer outros destinos do Nordeste.>