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Cidade flutuante para 80 mil pessoas: projeto mira reviver antigo sonho da engenharia naval e criar maior navio do planeta

Projeto do Freedom Ship prevê o maior navio do planeta, com casas, escolas, hospital, parques e estádio em uma estrutura pensada para funcionar como cidade em alto-mar

  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 6 de junho de 2026 às 07:35

Apesar do anúncio, a
Apesar do anúncio, a "cidade no mar" ainda está em fase de financiamento Crédito: Reprodução / Tangram 3DS

Uma cidade flutuante para até 80 mil pessoas voltou a chamar atenção ao prometer algo maior do que qualquer cruzeiro em operação hoje. Chamado Freedom Ship, o projeto prevê uma embarcação com toda a infraestrutura civil flutuando acima do XXX.

O Freedom Ship é apresentado pela Freedom Cruise Line International como uma “cidade no mar”. Segundo comunicado da própria empresa, a embarcação teria mais de 2 milhões de toneladas brutas, uma milha de comprimento, 244 metros de largura e 30 andares.

Cobertura de Ronaldo Fenômeno em Miami por Reprodução/@vivihomesorlando

A escala coloca o projeto em uma categoria própria. A embarcação seria maior do que os grandes cruzeiros atuais e teria capacidade para mais de 80 mil pessoas, entre residentes, visitantes e trabalhadores.

O plano inclui unidades residenciais, áreas comerciais, escolas de ensino básico, serviços profissionais, bancos, restaurantes, cassinos, parques, espaços de lazer e hospital com pesquisa médica.

Em vez de ruas tradicionais, o projeto prevê circulação interna, áreas de caminhada e transporte próprio para deslocar moradores e visitantes entre diferentes setores do navio
Em vez de ruas tradicionais, o projeto prevê circulação interna, áreas de caminhada e transporte próprio para deslocar moradores e visitantes entre diferentes setores do navio Crédito: Erik Mclean / Pexels

Os maiores cruzeiros em operação já funcionam como pequenos bairros turísticos. O Icon of the Seas, da Royal Caribbean, por exemplo, tem 1.196 pés de comprimento, 250.800 toneladas brutas e capacidade máxima para cerca de 7.600 hóspedes.

Mesmo assim, o Freedom Ship promete multiplicar essa escala. Em vez de receber passageiros por alguns dias, o navio seria pensado para moradia permanente.

Maior desafio ainda é sair do papel

A ideia de morar sobre o mar não nasceu agora. Vilas flutuantes existem há séculos em diferentes partes do mundo, mas os projetos de megacidades oceânicas ganharam força no século 20, impulsionados por urbanistas e arquitetos futuristas.

O Freedom Ship carrega uma promessa antiga. O conceito é associado ao engenheiro Norman Nixon e circula desde os anos 1990. Décadas depois, a proposta voltou ao noticiário com nova apresentação e tentativa de atrair investidores.

O custo estimado aparece na casa dos bilhões de dólares. Reportagens citam valores em torno de US$ 15 bilhões a US$ 16 bilhões, mas a conta final dependeria do modelo de muitos fatores: construção, da energia escolhida, da tecnologia naval e dos sistemas urbanos.

Assim como no caso de Nixon, a equipe ainda está procurando os recursos iniciais para começar a construção na Indonésia
Assim como no caso de Nixon, a equipe ainda está procurando os recursos iniciais para começar a construção na Indonésia Crédito: Jules Verne / Jules Férat / François Pannemaker / Wikimedia Commons

Roger Gooch, executivo da Freedom Cruise Line International, afirmou ao Telegraph, em declaração reproduzida pela Euronews: “Poderíamos quase justificar a construção de três navios”.

Um estudo publicado na revista Communications Earth & Environment afirma que cidades flutuantes podem avançar como alternativa para áreas costeiras, mas dependem de três pilares: resiliência, sustentabilidade e bem-estar urbano.

Tags:

Cidades Navio Engenharia