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Ana Beatriz Sousa
Publicado em 6 de junho de 2026 às 09:09
A chamada "vacina do sapo", ou ritual do Kambô, virou febre entre celebridades de Hollywood e executivos do Vale do Silício como uma alternativa para aliviar o estresse. No entanto, a busca por esse "detox espiritual", que consiste em aplicar o veneno de um anfíbio amazônico sobre queimaduras na pele, acendeu um alerta global de segurança após registrar mortes pelo mundo e ter sua eficácia contestada pela ciência.>
Ritual do kambô
Nomes como os atores Will Smith e Orlando Bloom já admitiram publicamente terem se submetido ao processo. Bloom, inclusive, descreveu a experiência como "brutal", relatando episódios intensos de vômito, mas defendeu que sentiu uma sensação de "limpeza" depois. O veneno é extraído de uma perereca gigante da Amazônia (Phyllomedusa bicolor) sob estresse. Depois, o aplicador faz pequenas queimaduras em fileira nos braços ou pernas do paciente e passa a toxina direto na carne viva. Em minutos, o corpo reage de forma violenta com rostos inchados, tonturas, desmaios e severas descargas gástricas.>
Embora os defensores vendam essa prática como uma "limpeza de toxinas", a ciência alerta que não existe nenhuma eficácia médica comprovada. Pelo contrário, o Kambô voltou ao centro dos debates após a morte do coach britânico Kristian Trend, de 40 anos, que sofreu uma reação extrema durante uma cerimônia em um apartamento na Inglaterra. Ele se soma a uma lista de pelo menos seis vítimas fatais, que inclui também a cineasta mexicana Marcela Rodríguez.>
No Brasil, a Anvisa proibiu totalmente a publicidade e a venda do Kambô ainda em 2004 devido aos riscos graves e à falta de segurança. Países como Austrália e Chile seguiram o mesmo caminho. Mesmo com a proibição e a falta de regulamentação de quem aplica o veneno, sites estrangeiros continuam comercializando bastões da toxina livremente.>