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Cidade perdida: tecnologia 3D revela metrópole sob a Amazônia

LiDAR revelou estradas retas, canais e áreas urbanas ocultas sob a mata e reforçou que a Amazônia foi ocupada por sociedades complexas há mais de 2.500 anos

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Matheus Ribeiro
  • Agência Correio

  • Matheus Ribeiro

Publicado em 5 de abril de 2026 às 07:00

As novas imagens mostram que a floresta abrigou assentamentos planejados, com circulação, manejo ambiental e estruturas que desafiam a antiga ideia de vazio demográfico Crédito: Pexels

A ideia de que a Amazônia era uma floresta intocada perdeu força após novas varreduras com LiDAR revelarem cidades antigas, estradas retilíneas e canais sob a mata. O Light Detection and Ranging é uma tecnologia que utiliza pulsos de laser para medir distâncias e criar mapas 3D de alta precisão. O avanço reposiciona a região no centro da história urbana das Américas.

As imagens obtidas por laser mostram que milhares de pessoas viveram em assentamentos organizados há mais de 2.500 anos. Em vez de núcleos isolados, surgem evidências de redes conectadas, com engenharia de solo, circulação e manejo ambiental.

Macaco entre as árvores na Floresta Amazônica por Brenda Viana / CORREIO

O que aparece agora não é apenas ruína antiga. É uma nova forma de olhar para a floresta, que deixa de ser cenário vazio e passa a ser entendida como território moldado por sociedades complexas, persistentes e profundamente adaptadas ao ambiente.

A revolução do LiDAR na arqueologia moderna

O LiDAR funciona como um “raio-X” do terreno. Os pulsos de laser atravessam frestas da copa das árvores e registram o relevo do solo, permitindo localizar estruturas invisíveis a olho nu mesmo em áreas de floresta densa.

Foi assim que pesquisadores identificaram plataformas, valas, geoglifos, praças, canais e pirâmides de terra escondidos sob a vegetação. No vale do Upano, no Equador, o método revelou uma malha urbana ampla e organizada.

O impacto da tecnologia já é comparado ao da datação por carbono-14 para o estudo de sociedades antigas. Com ela, a arqueologia amazônica ganhou escala, precisão e velocidade para revisar certezas mantidas por décadas.

Urbanismo ancestral: as estradas e praças que desafiam a história oficial

As novas leituras mostram cidades integradas à floresta, não erguidas contra ela. Algumas vias principais seguiam em linha reta por quilômetros, conectando áreas residenciais, espaços cerimoniais e estruturas elevadas de uso coletivo.

Além disso, os vestígios indicam domínio de drenagem, circulação e produção de alimentos. Esse arranjo reforça a tese de um urbanismo de baixa densidade, capaz de sustentar grandes populações sem romper o equilíbrio local.

As descobertas também enfraquecem a noção de vazio demográfico na Amazônia. Em seu lugar, ganha força a imagem de uma ocupação planejada, com redes de estradas e manejo tradicional muito antes da chegada dos europeus.

 Por que o mapa da Amazônia ainda está só começando?

Mesmo com o salto recente, a floresta ainda guarda muito mais do que foi revelado até agora. Projetos de escaneamento já mapearam grandes áreas e encontraram indícios de aldeias, valas e eixos de circulação espalhados por diferentes regiões amazônicas.

 A tendência é que novas expedições ampliem esse mapa nos próximos anos. Cada área varrida pelo laser ajuda a reconstruir uma Amazônia mais humana, mais engenhosa e muito mais antiga do que a história tradicional admitia.