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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 1 de junho de 2026 às 19:09
Ōamaru, cidade no interior da Nova Zelândia, é conhecida como a “Capital do Steampunk” mundial. O destino está entre os mais excêntricos da Oceania e já entrou para o Guinness, em 2016, pelo recorde de maior reunião de steampunks. >
O município se destaca pelo retrofuturismo vitoriano. Na prática, isso significa uma cidade moderna que mistura elementos futuristas com referências antigas da era vitoriana. Esse espírito steampunk aparece nos prédios históricos, na moda e até no clima das ruas.>
Ōamaru, a cidade steampunk
Ōamaru tem uma trajetória parecida com a de Paranapiacaba, no interior de São Paulo. As duas viveram um período de forte crescimento econômico, mas, depois de uma crise, entraram em decadência e precisaram encontrar uma nova identidade.>
Nos dois casos, o caminho para a recuperação passou pela valorização da tradição. Na cidade neozelandesa, esse movimento foi impulsionado pelo Whitestone Civic Trust, que decidiu restaurar prédios históricos do auge vitoriano de Ōamaru e transformá-los em parte da identidade local.>
Assim como as luzes de neon viraram uma assinatura visual de Chongqing, o retrofuturismo foi incorporado como marca de Ōamaru. Mesmo fora dos grandes eventos, é possível encontrar pessoas nas ruas usando roupas clássicas ou circulando em carros antigos.>
Para quem busca o steampunk em sua forma mais direta, o grande cartão-postal da cidade é o Steampunk HQ. Instalado em um antigo armazém abandonado, o espaço funciona como um museu interativo, com luzes, máquinas e muitas referências futuristas.>
Ainda quer ver mais steampunk? O Ōamaru Steam and Rail funciona como um museu vivo de ferro, fumaça e memória ferroviária. Já para quem gosta de arte, a cidade também conta com a Forrester Gallery e a Ōamaru Opera House.>
Para os visitantes que preferem passeios mais tranquilos, o centro histórico do Heritage Precinct reúne ateliês, boutiques, construções antigas e praças que ajudam a reforçar a atmosfera vitoriana da cidade.>
O steampunk é um subgênero retrofuturista da ficção científica. Ele retoma elementos do passado para construir um futuro alternativo, nostálgico e cheio de máquinas imaginadas a partir de tecnologias antigas.>
Nesse tipo de estética, tecnologias arcaicas se tornam ultrafuturistas, como se o mundo tivesse seguido outro caminho de evolução. No caso do steampunk, a inspiração principal vem da era vitoriana e do auge da Revolução Industrial movida a vapor.>
Segundo estudo do pesquisador Constantine Sedikides e outros autores, publicado em 2016, a nostalgia fortalece a sensação de continuidade do eu e amplia o sentimento de conexão social. O que ajuda a explicar parte do apelo atual do retrofuturismo.>
Ao juntar imagens do passado com projeções de futuro, essa estética transforma a novidade em algo familiar e menos ameaçador. Dessa forma, oferece uma espécie de conforto simbólico em um período marcado por mudanças rápidas, avanços tecnológicos e incertezas.>
Mais do que revisitar máquinas antigas ou fantasias de época, o retrofuturismo mostra uma tentativa de imaginar o amanhã sem abandonar totalmente as referências afetivas que ainda dão identidade, sentido e segurança à sociedade.>
Simulação de uma cidade steampunk feita a partir de inteligência artificial.>