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Cientistas brasileiros descobrem no Nordeste o primeiro anfíbio que não comia carne em 280 milhões de anos

Descoberta da espécie Tanyka amnicola no Piauí e Maranhão desafia regra biológica de que todos os anfíbios são carnívoros e posiciona o Nordeste como polo mundial da paleontologia

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 10 de abril de 2026 às 13:00

A espécie foi batizada de Tanyka amnicola, nome que significa, em uma combinação de línguas antigas, “mandíbula que mora no rio”, referência ao formato único das estruturas bucais do animal e ao ambiente aquático que habitava
A espécie foi batizada de Tanyka amnicola, nome que significa, em uma combinação de línguas antigas, “mandíbula que mora no rio”, referência ao formato único das estruturas bucais do animal e ao ambiente aquático que habitava Crédito: Reprodução IA

Uma descoberta de pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) quebra uma regra histórica da biologia: a de que todos os anfíbios são carnívoros.

Ao identificar a Tanyka amnicola, espécie de 280 milhões de anos encontrada no Piauí e no Maranhão, a equipe revelou o primeiro registro de um anfíbio com dieta baseada em plantas na história da paleontologia.

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O achado foi publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B. O animal, cujo nome significa “mandíbula que mora no rio”, habitava ambientes aquáticos durante o Período Permiano.

O que o diferencia de qualquer outra espécie do grupo é a anatomia bucal. As mandíbulas têm formato irregular e dentes projetados lateralmente, características voltadas ao processamento de vegetais e incompatíveis com a captura de presas vivas.

Pesquisa internacional e coleta de uma década

A identificação da espécie é fruto de um trabalho de 11 anos. Entre 2012 e 2023, foram coletadas nove mandíbulas nos municípios de Nazária (PI), Timon (MA) e Pastos Bons (MA), em áreas próximas à Floresta Fóssil do Rio Poty.

O estudo teve caráter global, envolvendo especialistas dos Estados Unidos, Argentina, Alemanha, África do Sul e Reino Unido, com análises complementares realizadas no Museu de História Natural de Chicago.

Segundo o professor Juan Carlos Cisneros, líder da pesquisa, a descoberta posiciona a UFPI em um circuito estratégico da paleontologia mundial.

Piauí se consolida como referência no Período Permiano

A descoberta da Tanyka amnicola soma-se a outros achados recentes na região. Em fevereiro de 2026, a UFPI já havia anunciado os primeiros fósseis de pelicossauros da América do Sul.

O estado se beneficia das condições geológicas da Bacia do Parnaíba, que preservou sedimentos da época em que os continentes formavam a Pangeia.

Atualmente, a universidade mantém a guarda de mais de mil fósseis coletados na região que ainda passam por análise.

A expectativa é que o acervo revele novas espécies nos próximos anos, consolidando o Piauí como um dos principais depósitos paleontológicos do planeta para o estudo dos primeiros vertebrados terrestres.