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Cientistas conseguem feito único ao criar cristais visíveis capazes de aprisionar o próprio tempo

Pesquisadores envolvidos compararam o sistema como um relógio que não precisa de eletricidade para funcionar

  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 20 de maio de 2026 às 13:13

Esses são os primeiros cristais do tempo visíveis já feitos na história da ciência
Esses são os primeiros cristais do tempo visíveis já feitos na história da ciência Crédito: Jimmy Chan / Pexels

Cientistas conseguiram criar em laboratório um cristal do tempo visível, uma forma rara de matéria em que não só a matéria está nos cristais, mas também padrões temporais. Imagine um relógio sem eletricidade, mas cujos ponteiros e engrenagens giram sozinhos por toda a eternidade.

“Essa é a beleza deste cristal temporal. Você simplesmente cria algumas condições que não são tão especiais. Você acende uma luz, e tudo acontece.”

Ivan Smalyukh

professor de física e coautor do estudo em comunicado da Universidade do Colorado
Computadores quânticos precisam controlar qubits instáveis por mais tempo para resolver problemas que máquinas comuns não conseguem enfrentar por IBM Research / Wikimedia Commons

O que é cristal do tempo

Um cristal comum, como sal ou diamante, tem átomos organizados em padrões que se repetem no espaço. Um cristal do tempo segue outro padrão: ele se repete em ciclos temporais, como se tivesse um ritmo próprio. Assim como um relógio.

A ideia foi proposta em 2012 pelo físico Frank Wilczek. Na época, esse era um feito distante demais da realidade experimental. Porém, cientistas em pouco mais de uma década conseguiram não só criar cristais do tempo em sistemas quânticos, mas ultrapassaram uma grande barreira.

O grande diferencial dos cristais apresentados no estudo da Universidade do Colorado em Boulder é a visibilidade. Antes, os cristais do tempo eram observados por sinais indiretos, geralmente em ambientes quânticos complexos.

Agora, o padrão pode ser acompanhado diretamente pelo microscópio e, em condições específicas, a olho nu.

Como os cientistas fizeram isso

No estudo publicado na revista Nature Materials, os pesquisadores usaram uma fina célula de vidro com cristais líquidos em formato de bastonete. Cristais semelhantes àqueles utilizados em telas digitais.

As placas foram revestidas com moléculas sensíveis à luz. Quando receberam iluminação azul constante, essas moléculas se reorientaram e empurraram os cristais líquidos para esse padrão de movimento contínuo.

Na prática, surgiram listras que se moviam e voltavam a formar padrões parecidos. A imagem lembra faixas coloridas vistas ao microscópio, mas o comportamento por trás dela é bem mais profundo.

“Tudo nasce do nada. Basta iluminar, e todo esse mundo de cristais do tempo surge”

Ivan Smalyukh

Uso prático

Os próprios pesquisadores citam aplicações em dispositivos ópticos, telecomunicações, criptografia e sistemas contra falsificação. A ideia é usar padrões que mudam no tempo como uma assinatura difícil de copiar.

Assim como os NFTs com a sua blockchain, cristais do tempo com suas flutuações temporais, poderiam ser utilizados como uma excelente medida de assinatura de segurança
Assim como os NFTs com a sua blockchain, cristais do tempo com suas flutuações temporais, poderiam ser utilizados como uma excelente medida de assinatura de segurança Crédito: Jonathan Borba / Pexels

Um exemplo possível seria uma marca d’água temporal em documentos, cédulas ou etiquetas de segurança. Em vez de verificar apenas uma imagem parada, o sistema analisaria um padrão que aparece em movimento quando recebe luz.

Não confunda com movimento perpétuo

Apesar do nome chamativo, o cristal do tempo não funciona sozinho para sempre. Ele precisa da luz como fonte externa de energia para manter as moléculas em movimento e sustentar o ciclo observado.

Sempre é bom frisar esse ponto, pois ele pode gerar confusões. O material não produz energia gratuita, não rompe leis da física nem abre caminho para viagens no tempo. Como foi comentado por alguns usuários das redes sociais.

Tags:

Ciência Tecnologia Tempo