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Cientistas identificam dinossauro de 27 metros que viveu há 100 milhões de anos, tinha o peso de 9 elefantes e é o maior já identificado até hoje

Batizado de Nagatitan, o herbívoro de pescoço longo tinha cerca de 27 metros, viveu no Cretáceo e é considerado o maior dinossauro já encontrado no Sudeste Asiático

  • Foto do(a) author(a) Helena Merencio
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Helena Merencio

  • Agência Correio

Publicado em 20 de maio de 2026 às 17:17

Dinossauro de pescoço longo aparece em imagem meramente ilustrativa; a nova espécie descrita na Tailândia tinha cerca de 27 metros de comprimento
Dinossauro de pescoço longo aparece em imagem meramente ilustrativa; a nova espécie descrita na Tailândia tinha cerca de 27 metros de comprimento Crédito: Pexels

Um morador da Tailândia viu ossos estranhos aparecendo perto de um lago durante a estação seca. Anos depois, aqueles fósseis ajudariam cientistas a apresentar um gigante de pescoço longo que viveu no Sudeste Asiático há mais de 100 milhões de anos.

O animal foi batizado de Nagatitan chaiyaphumensis. Segundo o estudo publicado na revista Scientific Reports, ele era um saurópode, grupo de dinossauros herbívoros conhecido pelo pescoço comprido, cauda longa, cabeça pequena e patas robustas.

Ilustração representa dinossauros da Formação Sao Khua, no Cretáceo Inferior da Tailândia por Offy/Wikimedia Commons

A estimativa é que tivesse cerca de 27 metros de comprimento e pesasse entre 25 e 28 toneladas, algo comparável a nove elefantes asiáticos adultos.

Pelo tamanho, o novo dinossauro passou a ser considerado o maior já identificado no Sudeste Asiático.

Uma descoberta como essa também ajuda a preencher uma lacuna importante, já que os fósseis de saurópodes encontrados nessa formação geológica da Tailândia costumavam ser raros e fragmentados.

Gigante apareceu perto de lago

Os fósseis foram encontrados na província de Chaiyaphum, no nordeste da Tailândia, em uma área chamada Ban Pha Nang Sua. O primeiro achado ocorreu em 2016, quando o nível da água baixou e deixou parte do leito fossilífero exposto na margem de um lago comunitário.

Depois disso, pesquisadores iniciaram escavações entre 2016 e 2019. Uma nova etapa foi realizada em 2024, quando o restante do material foi retirado. Os ossos foram levados para preparação e estudo no Sirindhorn Museum, em Kalasin.

A coleção preservada inclui vértebras dorsais, vértebras sacrais, costelas, ossos da pelve, um úmero direito e um fêmur quase completo.

Como não havia ossos duplicados, e as peças tinham tamanho compatível e estavam próximas umas das outras, os pesquisadores concluíram que pertenciam ao mesmo indivíduo.

Por que o nome é Nagatitan?

O nome mistura referência regional e mitologia. “Naga” vem de uma criatura semelhante a uma serpente presente em tradições asiáticas, especialmente no nordeste da Tailândia, onde aparece associada à água e ao budismo. Já “titan” faz referência aos gigantes da mitologia grega.

A segunda parte do nome, chaiyaphumensis, aponta para Chaiyaphum, província onde os fósseis foram encontrados. A escolha ajuda a ligar a descoberta ao território que preservou os restos do animal por milhões de anos.

Com isso, a University College London informou que esta é a 14ª espécie de dinossauro oficialmente nomeada na Tailândia.

Esse número reforça o peso do país nos estudos paleontológicos do Sudeste Asiático, uma região que ainda tem muito a revelar sobre a vida no Cretáceo.

Como era o mundo desse dinossauro

O Nagatitan viveu durante o Cretáceo Inferior, em um período estimado entre 100 e 120 milhões de anos atrás. A Reuters cita aproximadamente 113 milhões de anos, com base no contexto geológico do achado.

Naquela época, a região onde hoje fica a Tailândia tinha ambientes ligados a rios, áreas de vegetação aberta e clima quente.

O estudo descreve a Formação Khok Kruat como um cenário rico em animais, com peixes, tubarões de água doce, tartarugas, crocodiliformes, pterossauros, dinossauros herbívoros e terópodes carnívoros.

Sem crânio ou dentes preservados, os cientistas não conseguem descrever todos os detalhes da alimentação. Ainda assim, pela comparação com outros saurópodes, a hipótese é que o animal consumisse grandes volumes de vegetação, como coníferas e samambaias com sementes, sem depender de muita mastigação.

Tamanho ajudava a escapar de predadores

Mesmo em um ambiente com carnívoros grandes, um adulto saudável de quase 30 toneladas provavelmente não era uma presa fácil. Pesquisadores citados pela Reuters afirmam que predadores poderiam atacar filhotes, animais doentes ou indivíduos mais velhos, mas evitariam enfrentar um saurópode adulto em boas condições.

Esse tamanho extremo não colocava o Nagatitan entre os maiores dinossauros do mundo. Ele ainda ficava abaixo de gigantes sul-americanos, como Patagotitan, citado em materiais da UCL como um animal de cerca de 60 toneladas. Mesmo assim, dentro do Sudeste Asiático, a escala muda completamente o que se sabia sobre esses herbívoros.

Descoberta pode explicar uma fase de gigantismo

O estudo também liga o Nagatitan a um momento mais amplo da evolução dos saurópodes. Segundo os autores, o animal fazia parte dos titanosauriformes somfospondilianos e foi posicionado dentro de Euhelopodidae, um grupo de saurópodes asiáticos do Cretáceo.

Para os pesquisadores, o novo fóssil ajuda a entender a diversidade desses animais na região e pode se conectar a um aumento de tamanho corporal em saurópodes asiáticos durante o Cretáceo médio.

O estudo sugere que temperaturas em elevação e a expansão de habitats adequados podem ter favorecido esse crescimento.

Também por isso, o Nagatitan vem sendo chamado de uma espécie de “último titã” da Tailândia. A explicação é geológica: ele foi encontrado na formação tailandesa mais jovem com fósseis de dinossauros. Depois, partes da região teriam se transformado em mar raso, reduzindo as chances de novos registros terrestres desse tipo.

Tags:

Ciência