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Comboio ferroviário atravessou o oceano, viajou 20 mil km para dar uma mãozinha no caótico sistema de transporte brasileiro

Veículos ferroviários saíram da China, viajaram até 70 dias de navio e chegaram a São Paulo para reforçar a manutenção da Linha 7-Rubi

  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 9 de junho de 2026 às 21:21

Alguns equipamentos desse tipo podem chegar a 23 metros de comprimento e até 111 toneladas
Alguns equipamentos desse tipo podem chegar a 23 metros de comprimento e até 111 toneladas Crédito: Imagem ilustrativa gerada por IA / ChatGPT

Você pode ter lido em algum livro sobre personagens que atravessaram o mundo para chegar até alguém. Isso recentemente aconteceu, mas, ao invés de amantes, eram trens. Um conjunto ferroviário viajou o mundo para chegar até SP e encontrar outros trens.

Um conjunto de veículos ferroviários saiu da China, atravessou quase 20 mil quilômetros por mar e chegou a São Paulo em uma operação planejada até os mínimos detalhes. A carga foi levada ao Pátio Lapa, na Zona Oeste da capital paulista, para reforçar a manutenção da Linha 7-Rubi.

Trem da mineradora australiana BHP 3143 por Reprodução/YouTube

Viagem intercontinental

A operação começou em portos chineses, como Taicang e Zhangjiagang, com destino ao Porto de Santos. Segundo reportagem do InfoMoney, a travessia marítima levou de 45 a 70 dias.

Depois da chegada ao litoral paulista, a carga ainda passou por descarga, inspeção documental e análise alfandegária. Essa etapa levou cerca de dez dias antes da liberação para seguir viagem pela estrada.

O trecho final, entre Santos e São Paulo, exigiu caminhões especiais, batedores e apoio da polícia rodoviária. Como a carga era grande demais para uma operação comum, o trajeto precisou considerar viadutos, curvas, pontes e horários de menor movimento.

Em um dos pontos, a margem de passagem ficou tão apertada que os pneus do caminhão precisaram ser murchados para permitir a passagem segura
Em um dos pontos, a margem de passagem ficou tão apertada que os pneus do caminhão precisaram ser murchados para permitir a passagem segura Crédito: Nikita Nikitin / Pexels

Por que esses veículos não vieram pelos trilhos?

A pergunta parece óbvia: se são trens, por que não seguir direto pelos trilhos? A resposta está na segurança. Antes de entrar em operação, esse tipo de equipamento precisa passar por testes específicos na própria linha.

Essas verificações avaliam se a máquina se adapta à infraestrutura local, aos procedimentos técnicos e às exigências de operação. Só depois disso ela pode ser incorporada à rotina de manutenção.

Como o trem vem montado, não é difícil para os agentes de inspeção conferirem se bate com a nota.

Max Fagundes

diretor de contratos da TIC Trens, ao InfoMoney

O que foi transportado de fato?

Os equipamentos importados não são trens de passageiros. Eles funcionam como máquinas de serviço, usadas para conservar a base física da ferrovia.

Entre os veículos estão socadoras, reguladoras e máquinas de apoio à rede aérea. Cada uma atua em uma parte da operação que o passageiro quase nunca vê, mas sente quando há problemas na linha.

A socadora compacta as pedras sob os trilhos, conhecidas como lastro. Esse material ajuda a distribuir o peso dos trens, estabilizar os dormentes e manter o alinhamento da via
A socadora compacta as pedras sob os trilhos, conhecidas como lastro. Esse material ajuda a distribuir o peso dos trens, estabilizar os dormentes e manter o alinhamento da via Crédito: Chen Melling - חן מלינג / Wikimedia Commons

A reguladora reorganiza esse lastro ao longo da ferrovia. Sem esse trabalho, as pedras podem se acumular de forma irregular, prejudicando a estabilidade da linha.

Exemplo de reguladora de lastro
Exemplo de reguladora de lastro Crédito: Ermell / Wikimedia Commons

Destino final

A Linha 7-Rubi faz parte do projeto do Trem Intercidades Eixo Norte, que prevê ligação entre São Paulo e Campinas. Segundo o Governo de São Paulo, o empreendimento terá 101 quilômetros no serviço expresso e inclui também o Trem Intermetropolitano entre Jundiaí e Campinas.

A TIC Trens afirma que é responsável pela implantação, operação e manutenção do Trem Intercidades, do TIM e da modernização da Linha 7-Rubi. Ou seja, a concessão não envolve apenas colocar novos trens para rodar.

Tags:

Trem são Paulo Ferrovia Logística Mobilidade China