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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 9 de junho de 2026 às 21:21
Você pode ter lido em algum livro sobre personagens que atravessaram o mundo para chegar até alguém. Isso recentemente aconteceu, mas, ao invés de amantes, eram trens. Um conjunto ferroviário viajou o mundo para chegar até SP e encontrar outros trens. >
Um conjunto de veículos ferroviários saiu da China, atravessou quase 20 mil quilômetros por mar e chegou a São Paulo em uma operação planejada até os mínimos detalhes. A carga foi levada ao Pátio Lapa, na Zona Oeste da capital paulista, para reforçar a manutenção da Linha 7-Rubi. >
De trem pelo mundo
A operação começou em portos chineses, como Taicang e Zhangjiagang, com destino ao Porto de Santos. Segundo reportagem do InfoMoney, a travessia marítima levou de 45 a 70 dias.>
Depois da chegada ao litoral paulista, a carga ainda passou por descarga, inspeção documental e análise alfandegária. Essa etapa levou cerca de dez dias antes da liberação para seguir viagem pela estrada.>
O trecho final, entre Santos e São Paulo, exigiu caminhões especiais, batedores e apoio da polícia rodoviária. Como a carga era grande demais para uma operação comum, o trajeto precisou considerar viadutos, curvas, pontes e horários de menor movimento.>
A pergunta parece óbvia: se são trens, por que não seguir direto pelos trilhos? A resposta está na segurança. Antes de entrar em operação, esse tipo de equipamento precisa passar por testes específicos na própria linha.>
Essas verificações avaliam se a máquina se adapta à infraestrutura local, aos procedimentos técnicos e às exigências de operação. Só depois disso ela pode ser incorporada à rotina de manutenção.>
Max Fagundes
diretor de contratos da TIC Trens, ao InfoMoneyOs equipamentos importados não são trens de passageiros. Eles funcionam como máquinas de serviço, usadas para conservar a base física da ferrovia.>
Entre os veículos estão socadoras, reguladoras e máquinas de apoio à rede aérea. Cada uma atua em uma parte da operação que o passageiro quase nunca vê, mas sente quando há problemas na linha.>
A reguladora reorganiza esse lastro ao longo da ferrovia. Sem esse trabalho, as pedras podem se acumular de forma irregular, prejudicando a estabilidade da linha.>
A Linha 7-Rubi faz parte do projeto do Trem Intercidades Eixo Norte, que prevê ligação entre São Paulo e Campinas. Segundo o Governo de São Paulo, o empreendimento terá 101 quilômetros no serviço expresso e inclui também o Trem Intermetropolitano entre Jundiaí e Campinas.>
A TIC Trens afirma que é responsável pela implantação, operação e manutenção do Trem Intercidades, do TIM e da modernização da Linha 7-Rubi. Ou seja, a concessão não envolve apenas colocar novos trens para rodar.>