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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 14 de maio de 2026 às 12:12
Nascido de uma promessa intrigante: fazer o mundo ficar menor. O avião supersônico conseguia cruzar o oceano Atlântico em três horas com seus passageiros acima das nuvens. Na época, esse colosso de aço era um símbolo de luxo e o ápice da engenharia, até encontrar uma tira metálica.>
Em uma tragédia digna de um filme da franquia 'Premonição', o avião que operava há 25 anos teve o começo do seu fim trágico no ano 2000. Porém, mesmo com o seu fim, ele deixou uma herança para a aviação moderna.>
Aviões supersônicos em atividade
O Concorde nasceu de uma parceria entre Reino Unido e França. O projeto buscava transformar a aviação comercial em uma experiência muito mais rápida, capaz de levar passageiros a velocidades próximas de Mach 2 (cerca de 2.400 km/h), o dobro da velocidade do som.>
A Air France também colocou o modelo na rota Paris-Rio, com escala em Dakar, no Senegal. Para o passageiro brasileiro, era uma amostra rara de um futuro que parecia possível: atravessar oceanos em menos tempo.>
Essa promessa criou uma aura de exclusividade. Empresários, artistas, autoridades e passageiros de alto poder aquisitivo compravam não apenas um bilhete, mas a sensação de participar de um grupo seleto e exclusivo.>
Em 25 de julho de 2000, o voo 4590 da Air France decolava de Paris rumo a Nova York. Minutos antes, um DC-10 da Continental Airlines havia passado pela mesma pista e perdido uma tira metálica de 43,5 centímetros.>
Durante a corrida de decolagem, um dos pneus do Concorde atingiu essa peça. O pneu se desfez, fragmentos atingiram a asa e a estrutura do tanque sofreu uma deformação que abriu caminho para grande vazamento de combustível.>
O combustível pegou fogo quase imediatamente. Mesmo com a chama sob a asa, a aeronave já estava em velocidade crítica. O jato saiu do chão, perdeu desempenho e caiu pouco depois em Gonesse, perto de Paris.>
Depois da queda, a frota foi suspensa. As aeronaves receberam reforços nos tanques, novos pneus e mudanças de segurança. Ainda assim, o acidente alterou a confiança do público e acelerou questões pré-existentes contra essa linha de aviões.>
Além do acidente que afetou a confiança pública, outros fatores pesaram na descontinuação da linha Concorde, especialmente o alto valor. Apesar da velocidade, o jato levava apenas 100 passageiros, consumia muito combustível e exigia manutenção especializada e cara.>
Além disso, havia a questão do barulho. O estrondo sônico levou países a restringirem voos supersônicos sobre áreas habitadas, pois esse estrondo poderia afetar infraestrutura e causar dano aos ouvintes. Essa medida limitou as rotas para aviões supersônicos e diminuiu sua viabilidade econômica.>
Todos esses fatores combinados foram responsáveis pelo fim da linha, que hoje sobrevive apenas em museus de aviação.>