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Como nasce um videoclipe de Anitta? Felipe Britto revela os bastidores de EQUILIBRIVM

Novo álbum da cantora foi pensado como um filme dividido em atos e transformou espiritualidade, arte popular brasileira e paisagem natural em linguagem pop

  • Foto do(a) author(a) Heider Sacramento
  • Heider Sacramento

Publicado em 23 de maio de 2026 às 08:00

Felipe Britto revela os bastidores da construção visual de EQUILIBRIVM
Felipe Britto revela os bastidores da construção visual de EQUILIBRIVM Crédito: Duh Marinho

Antes de existir como álbum, EQUILIBRIVM começou em áudios enviados de madrugada. Durante semanas, Anitta compartilhou com sua equipe reflexões sobre espiritualidade, cansaço emocional, memória afetiva e reconexão com o Brasil que queria retratar visualmente nessa nova fase da carreira.

As mensagens vinham acompanhadas de fotografias, prints de filmes, referências religiosas e imagens de arte popular brasileira. Ainda não havia nome para o projeto, nem definição estética concreta. Mas, para quem acompanhava o processo de perto, já estava claro que a cantora se afastava da lógica fragmentada dos videoclipes pop tradicionais para construir algo mais contínuo e autoral.

“Ela mandou centenas de áudios, durante semanas, descrevendo o que estava sentindo, referências espirituais, lugares afetivos, memórias”, afirma Felipe Britto, sócio-fundador da Ginga Pictures e produtor executivo da era. “Também mandou muitas imagens, prints, trechos de filmes.”

A Ginga trabalha com Anitta há anos e acumula mais de cem projetos realizados com a cantora. Segundo Felipe, a familiaridade criativa entre os dois permitiu que a equipe entendesse rapidamente que EQUILIBRIVM exigiria uma construção diferente. “O primeiro passo é sempre escuta”, diz. “Antes de qualquer reunião de criação, de referência visual ou orçamento, o trabalho é entender de onde a ideia está vindo.”

Bastidores de EQUILIBRIVM revelam como Anitta transformou espiritualidade, brasilidade e arte popular em uma narrativa audiovisual dividida em atos por Duh Marinho

A preocupação inicial era evitar que os símbolos presentes no álbum fossem reduzidos a uma estética superficial de espiritualidade pop. Antes de pensar em figurino, fotografia ou locação, a equipe passou semanas organizando referências e tentando compreender o estado emocional que atravessava o projeto. “Que momento o artista está vivendo, que sensação ele quer evocar, o que essa música representa dentro do contexto maior da carreira. Sem isso, qualquer conceito visual que se construa em cima vira casca”, afirma.

Com direção criativa de Nídia Aranha e direção de Manuel Nogueira, o material foi organizado em quatro atos. “Despacho”, “Fé e Festa”, “Deus Mãe” e “Renascimento” passaram a estruturar a narrativa audiovisual do disco como capítulos de um mesmo filme.

A ideia de unidade marca uma ruptura importante dentro da discografia visual da cantora. Felipe cita Kisses, de 2019, como contraponto. Naquele momento, cada faixa possuía estética própria. Em EQUILIBRIVM, a lógica foi inversa. “É a primeira vez que ela entrega um projeto audiovisual pensado como um filme em atos, com unidade única do começo ao fim”, afirma. “Cada clipe é um capítulo de uma coisa só.”

As referências escolhidas para sustentar essa unidade partiram menos do pop internacional e mais de tradições culturais brasileiras. Segundo Felipe, a equipe trabalhou a partir de três grandes eixos visuais.

O primeiro foi o “Brasil profundo”, atravessado pelo candomblé, pelo realismo fantástico e pelo imaginário do Cinema Novo. O segundo veio da arte popular brasileira, incorporando trabalhos do Mestre Zimar, no Maranhão, da artista Rafa Chaves, na Paraíba, e do coletivo Labô Young, do Pará. “Tivemos o cuidado de trazer essas referências como presença real em tela, e não como inspiração solta”, explica.

O terceiro eixo foi a própria paisagem brasileira. Parte das gravações aconteceu no Projeto Ibiti, em Minas Gerais, escolhido menos pela imponência visual e mais pela relação do espaço com ideias de regeneração ambiental e reconexão com a natureza. “O que pesou foi a energia do lugar”, afirma Felipe. “O Ibiti tem a regeneração como ideia central, e isso conversa diretamente com o momento atual da Anitta, de desaceleração e reconexão com a raiz.”

A espiritualidade que atravessa o álbum também estabeleceu limites claros para a equipe criativa. Durante o lançamento de EQUILIBRIVM, Anitta afirmou que o disco não pretendia falar diretamente sobre dogmas religiosos, mas sobre cura emocional, amor e cultura brasileira. “É um álbum com intenções muito claras, mas muito sutil em tudo. Não estou cantando exatamente sobre religiões ou dogmas, mas sobre amor, cura e cultura brasileira”, disse a cantora na ocasião.

Anitta na divulgação do álbum "Equilibrium" por Reprodução/Instagram

Segundo Felipe, essa preocupação se refletiu diretamente nas decisões de produção. A cantora exigiu que referências ligadas às religiões de matriz africana não fossem tratadas como exotismo visual. “Partimos da premissa de jamais tratar esses elementos como cenário ou fantasia”, afirma. “Ela deixou claro que o projeto não poderia transformar nada disso em exotismo.”

A decisão influenciou desde a escolha dos colaboradores até os figurinos usados nos clipes. “Os figurinos são a coisa em si, feitos por pessoas que vivem essas tradições, e não apenas releituras”, explica.

A mesma lógica guiou a representação de brasilidade proposta pelo álbum. Em vez de uma imagem turística do país, EQUILIBRIVM buscou referências ligadas ao Brasil afro-brasileiro, interiorano e popular. “O segundo ponto inegociável foi a brasilidade real; não a de cartão-postal, mas a do Brasil interior, afro, popular”, diz Felipe.

Essa escolha aparece também nas participações do disco, que reúne artistas como Liniker, Luedji Luna, Marina Sena, Rincon Sapiência e Shakira.

Embora os videoclipes transmitam sensação de espontaneidade e grande impacto visual, Felipe afirma que a maior parte do trabalho acontece muito antes de a câmera ser ligada. “O público vê o resultado final, mas não vê os meses de conversa, de construção de roteiro visual, de busca por colaborador, de pré-produção, de teste de figurino, de visita técnica”, afirma.

Por isso, segundo ele, a filmagem costuma ser apenas a etapa final de um processo já resolvido conceitualmente. “Quando a câmera liga no set, 80% do clipe já existe, em forma de decisão”, finaliza. 

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Música Anitta Equilibrivm