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Fernanda Varela
Publicado em 23 de maio de 2026 às 09:00
Existe um desconforto cada vez mais comum com o silêncio. Em muitos casos, basta alguns minutos sozinho para surgir ansiedade, excesso de pensamentos ou necessidade imediata de distração. A reflexão atribuída a Arthur Schopenhauer atravessou gerações justamente porque fala sobre uma dificuldade profundamente moderna: permanecer na própria companhia.>
Conhecido pelas reflexões sobre sofrimento humano, solidão e existência, Schopenhauer acreditava que muitas pessoas evitam ficar sozinhas porque o silêncio acaba revelando emoções, medos e vazios que normalmente permanecem escondidos na correria do cotidiano.>
10 curiosidades sobre Arthur Schopenhauer
A reflexão continua extremamente atual em uma época marcada por excesso de estímulos, redes sociais e necessidade constante de ocupação mental. Em muitos casos, o problema não está apenas na solidão física, mas na dificuldade de lidar consigo mesmo quando tudo desacelera.>
Na prática, isso aparece em situações comuns do cotidiano. Pessoas que não conseguem ficar longe do celular, precisam de barulho constante, evitam momentos de introspecção ou se sentem emocionalmente desconfortáveis quando não existe distração por perto.>
O pensamento filosófico não trata solidão como isolamento absoluto ou rejeição das relações humanas. A ideia central está mais ligada à capacidade de desenvolver intimidade com os próprios pensamentos sem transformar o silêncio em sofrimento.>
Especialistas em comportamento frequentemente relacionam esse tipo de reflexão à dificuldade moderna de desacelerar mentalmente e à necessidade crescente de validação externa.>
Talvez seja justamente por isso que a frase continue sendo compartilhada tantos anos depois. Em um tempo em que nunca foi tão fácil fugir do silêncio, Schopenhauer lembra que algumas respostas só aparecem quando alguém aprende a permanecer sozinho consigo mesmo.>