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Companhia aérea testa avião hipersônico capaz de viajar de São Paulo a Paris em apenas 2 horas

Teste da JAXA simulou voo a Mach 5, expôs estrutura a 1.000 °C e mostrou por que a aviação hipersônica ainda depende de avanços antes de chegar aos passageiros

  • Foto do(a) author(a) Helena Merencio
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Helena Merencio

  • Agência Correio

Publicado em 22 de maio de 2026 às 16:16

Protótipo japonês foi submetido a condições extremas para estudar voos em velocidades muito acima das de aviões comerciais atuais
Protótipo japonês foi submetido a condições extremas para estudar voos em velocidades muito acima das de aviões comerciais atuais Crédito: Divulgação/JAXA

Cruzar o Pacífico, aproximadamente 10 mil quilômetros, em cerca de 2 horas ainda parece uma promessa distante, mas o Japão avançou em uma etapa importante desse futuro. Em 2026, a JAXA testou no centro Kakuda um demonstrador hipersônico de cerca de 2 metros, equipado com motor ramjet a hidrogênio, em condições equivalentes a Mach 5, segundo balanço da AeroTime.

Durante o ensaio, a parte externa do veículo chegou a aproximadamente 1.000 °C, temperatura parecida com a que envolveria uma aeronave real viajando a 5 vezes a velocidade do som.

Já por dentro, a proteção térmica manteve a estrutura perto de 60 °C, nível compatível com a operação de componentes eletrônicos, de acordo com a JAXA.

Na parte científica, a agência japonesa trabalhou com as universidades de Waseda, Tóquio e Keio. O financiamento veio da Japan Society for the Promotion of Science, por meio do programa KAKENHI.

Pesquisadores analisaram o desempenho do motor a hidrogênio em um cenário de velocidade extrema e alta temperatura por Divulgação/JAXA

Teste em solo

Ainda não há um avião hipersônico japonês voando livremente. A prova aconteceu em túnel de vento de combustão e serviu para avaliar três pontos ao mesmo tempo: combustão em alta velocidade, resistência ao calor e controle aerodinâmico.

Ramjets funcionam de um jeito diferente dos turbojatos convencionais. Sem compressor mecânico, esse tipo de motor usa a própria velocidade do veículo para comprimir o ar de admissão e permitir a queima do combustível.

Pela explicação técnica da NASA, ramjets clássicos desaceleram o fluxo interno antes da combustão.

Acima de Mach 5, costuma ganhar espaço o scramjet, que mantém o escoamento supersônico dentro do motor. Justamente por isso, o teste japonês chama atenção: ele usou um ramjet clássico em condição de Mach 5.

Calor e controle

Mach 5 equivale a cerca de 6.174 km/h ao nível do mar. Em altitude de cruzeiro, a 25 km, a velocidade fica próxima de 5.300 km/h. Aviões comerciais, para comparação, voam perto de Mach 0,8, algo em torno de 900 km/h.

Numa faixa tão extrema, compressão e atrito do ar elevam a temperatura nas superfícies expostas. O desafio supera com folga o enfrentado pelo SR-71 Blackbird, avião Mach 3 já aposentado, cuja fuselagem chegava a cerca de 300 °C.

Outro ponto decisivo está na integração entre motor e fuselagem. Conforme a Aviation Week, o demonstrador testou o conceito de “controle integrado aeroframe-propulsão”, em que o formato do veículo também ajuda a comprimir o ar antes da entrada no motor.

Para estabilizar essa relação, pesquisadores da Universidade de Waseda desenvolveram um algoritmo que reage em menos de 50 milissegundos a mudanças de ângulo.

Futuro distante

A corrida hipersônica envolve Estados Unidos, Reino Unido, China e Rússia. Nos EUA, a Hermeus trabalha no Quarterhorse, enquanto o Reino Unido aposta no motor SABRE. China e Rússia já operam sistemas hipersônicos militares.

No caso japonês, o programa ainda está em pesquisa fundamental e não tem data publicada para voo livre. A próxima etapa prevista pela JAXA é um testbed maior, lançado por foguete-sonda.

Pela visão de longo prazo, rotas como Tóquio-Los Angeles, em torno de 10 mil quilômetros, distância semelhante entre São Paulo a lugares como Paris, na França, ou ao sul da África, poderiam durar cerca de 120 minutos.

Antes disso, ainda será preciso provar que o motor funciona por minutos, integrar decolagem e pouso e criar regras para transporte civil hipersônico.

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Tecnologia