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Copa do Brasil: prêmio por eliminar o Palmeiras pode bancar o ano do Jacuipense

Com premiação milionária em jogo, avançar de fase na Copa do Brasil garante o orçamento necessário para quitar a folha salarial de toda a temporada do Leão do Sisal

  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Raphael Miras

  • Agência Correio

Publicado em 23 de abril de 2026 às 14:30

Jeam, Welder e Thiaguinho comemoram gol do Jacuipense em jogo de ida contra o Bahia
Jeam, Welder e Thiaguinho comemoram gol do Jacuipense em jogo de ida contra o Bahia Crédito: Jacuipense / Divulgação

Para a maioria dos clubes brasileiros, a Copa do Brasil é o caminho mais curto para um título nacional e uma vaga na Libertadores.

Para o Esporte Clube Jacuipense, a competição representa algo muito mais: a viabilidade financeira de uma temporada inteira.

O "Leão do Sisal", vindo de Riachão do Jacuípe, encontrou no torneio mata-mata a fórmula para manter as contas em dia e sustentar seu modelo de revelação de jogadores.

O sucesso financeiro do Jacuipense na atual edição é alto quando comparado à realidade local. Ao avançar para a 5ª fase após eliminar o Novorizontino, o clube acumulou cerca de R$ 4,85 milhões em premiações. Esse valor é 12 vezes superior ao prêmio de 400 mil recebido pelo Bahia pelo título do Campeonato Baiano de 2026.

Vitória x Jacuipense - 2ª rodada Campeonato Baiano por Victor Ferreira/EC Vitória

O peso do dinheiro no dia a dia

Para um clube com uma folha salarial e despesas mensais que giram em torno de R$ 400 mil, o montante acumulado na Copa do Brasil não é apenas um "bônus", mas a garantia de sobrevivência.

Segundo o diretor executivo Felipe Salles, a premiação ajuda a quitar dívidas de anos difíceis, como foi 2025, e permite que o clube planeje um 2027 com maior tranquilidade financeira.

"Fazer futebol sem dinheiro é algo que não existe. A gente precisa de dinheiro para poder montar um time competitivo e manter o mínimo de estrutura", afirma Salles.

Caso o clube surpreenda o Palmeiras e avance para as oitavas de final, o prêmio adicional de R$ 3 milhões seria suficiente para cobrir quase todo o custo anual do departamento de futebol.

O modelo de "vitrine" e o caso Raniele

O Jacuipense não se sustenta apenas com cotas de TV ou bilheteria. O centro do negócio está na formação e projeção de atletas. O clube se especializou em identificar jogadores em baixa em outros mercados para oferecê-los como vitrine.

O maior exemplo desse sucesso é o volante Raniele, hoje titular do Corinthians. Contratado sem custos e com salário reduzido em 2020, o atleta foi projetado pelo Jacuipense, passou pelo Bahia e rendeu aproximadamente R$ 4 milhões de lucro aos cofres do clube do interior através de transferências subsequentes.

Estratégia além das fronteiras baianas

A busca pelo lucro é tão central na gestão que o clube não hesita em tomar decisões impopulares, mas financeiramente lógicas. Para o confronto decisivo contra o Palmeiras pela 5ª fase, o Jacuipense optou por mandar o jogo no Estádio do Café, em Londrina (PR), em vez de atuar na Bahia.

A justificativa é simples: com seus estádios habituais (Valfredão e Pituaçu) indisponíveis para jogos deste porte, a diretoria buscou uma praça que garantisse uma renda maior.

Em Londrina, a proximidade com São Paulo assegura a presença maciça da torcida palmeirense, evitando o prejuízo financeiro registrado na fase anterior, em Salvador, quando apenas 85 torcedores pagaram ingresso para ver o time eliminar o Novorizontino.

Entre a ousadia em campo e o conservadorismo nas finanças, o Jacuipense segue provando que, para os pequenos, a Copa do Brasil é muito mais que um torneio: é a salvação financeira que permite ao clube continuar sendo um dos raros "cases de sucesso" de gestão no interior do Nordeste.