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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 6 de maio de 2026 às 15:00
Um ex-profissional de recursos humanos trocou o escritório pelo mar e criou uma fazenda de ostras que faturou R$ 3,6 milhões em 2025, em Florianópolis, Santa Catarina. >
Vinícius Ramos começou com cerca de R$ 15 mil, obtidos após vender o carro e usar a rescisão do antigo emprego. Em uma mistura de estratégia ousada e posicionamento estratégico, a aposta se tornou um negócio milionário.>
Fazenda Ostras
Antes de empreender, Vinícius trabalhava com a folha de pagamento de milhares de funcionários. A rotina intensa abriu espaço para uma pergunta que mudaria sua trajetória: “Como juntar o útil ao agradável?”.>
A resposta veio no litoral catarinense. No distrito de Caieiras da Barra do Sul, em Florianópolis, ele criou uma fazenda marinha voltada ao cultivo de ostras, atividade que funciona de forma parecida com a agricultura.>
O produtor compra sementes de ostras em laboratório, coloca as estruturas no mar e acompanha o crescimento até a colheita. Todo o processo leva cerca de nove meses até o produto chegar ao tamanho comercial.>
Apesar da transição aparentemente brusca de carreira, a rotina do RH serviu como preparação e experiência para a nova empreitada. A gestão de pessoas na empresa deu lugar a planilhas, controle de custos, capacitação e relacionamento com clientes.>
Outro ponto-chave no posicionamento do negócio de Vincíus foi a construção da fazenda em águas catarinenses. Santa Catarina concentra quase toda a produção nacional de ostras, mexilhões e vieiras cultivados. >
Um dos conceitos usados por Vinícius para vender melhor é o “marroir”. A palavra segue a mesma lógica do terroir dos vinhos, mas aplicada ao mar: salinidade, profundidade, correnteza e ambiente de cultivo influenciam sabor e textura.>
Na região onde ele atua, águas profundas, alta salinidade e proximidade com o mar aberto ajudam a diferenciar o produto. “A gente consegue sentir o cheiro da nossa ostra à distância”, afirma Vinícius.>
Esse tipo de identidade importa porque o cliente não compra apenas uma dúzia de ostras. Ele, hipoteticamente, compra procedência e confiança junto ao produto. Simultaneamente, para os restaurantes, esses atributos ajudam a posicionar esses artigos como peças de luxo.>
A dúzia vendida por cerca de R$ 25 abastece principalmente restaurantes, mas também chega a alguns consumidores finais. O negócio ainda envia ostras para outros estados com controle de temperatura para manter o produto vivo.>
O crescimento ganhou força com uma ação simples: degustação. Vinícius passou a frequentar encontros de donos de restaurantes e oferecia ostras gratuitamente para apresentar o produto de forma direta.>
Vinícius Ramos
EmpreendedorCom o tempo, a operação deixou de depender só da venda da ostra. A fazenda passou a oferecer visitas guiadas, com explicação sobre as etapas de cultivo e degustação no mar, ao custo de cerca de R$ 750 por grupo. >
Além de produção, a fazenda também se destaca como um destino turístico. Os clientes podem observar o crescimento das ostras, entender o manejo e terminar a experiência degustando o alimento diretamente da fonte, o mais fresco possível.>
Essa estratégia mira uma tendência cada vez mais forte do turismo, a imersão: visitantes querem participar e criar memórias únicas, mesmo que várias pessoas passem pelo mesmo local. >