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Empresa usa embalagens velhas de tijolos e constrói casas completas com 6 toneladas de plástico

Blocos feitos com plástico reciclado dispensam argamassa, reduzem entulho e já abrigaram famílias deslocadas

  • Foto do(a) author(a) Helena Merencio
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Helena Merencio

  • Agência Correio

Publicado em 18 de maio de 2026 às 21:21

Construções modulares ajudam a visualizar alternativas ao modelo convencional de obra, com peças prontas e montagem mais ágil
Construções modulares ajudam a visualizar alternativas ao modelo convencional de obra, com peças prontas e montagem mais ágil Crédito: Pexels

Uma sacola descartada, uma embalagem ou um pote jogado fora costumam ter o mesmo destino: aterros, terrenos baldios ou cursos d’água. Na Colômbia, parte desse material passou a seguir outro caminho e hoje pode virar parede de casas, abrigos e escolas.

Criada em 2011, a Conceptos Plásticos desenvolveu um sistema que transforma resíduos plásticos em tijolos modulares, resistentes, leves e seguros. A tecnologia foi idealizada por Fernando Llanos e pelo arquiteto Óscar Méndez, que patentearam um método baseado no derretimento do plástico e na moldagem das peças por extrusão.

Com os blocos prontos, quatro pessoas conseguem montar uma moradia de 40 m² em cinco dias úteis. Segundo a empresa, o modelo padrão tem dois dormitórios, sala, cozinha e banheiro, com custo estimado em US$6.800.

Ideia nasceu de obra difícil

Tudo começou quando Llanos tentou construir a própria casa em Cundinamarca, na Colômbia. O plano esbarrou no custo para transportar materiais a partir de Bogotá, dificuldade que levou o empresário a buscar alternativas à alvenaria convencional.

Depois de várias tentativas com polímeros, ele encontrou Méndez, que estudava o mesmo tema na universidade. Juntos, os dois fundaram a Conceptos Plásticos e patentearam um sistema pensado para aproveitar resíduos plásticos e responder ao déficit habitacional.

Blocos se encaixam sem cimento

Cada peça pesa cerca de três quilos e chega pronta ao canteiro de obras. O plástico é derretido, moldado por extrusão e transformado em bloco de encaixe.

Durante a montagem, os tijolos são colocados um sobre o outro e travados pelo próprio formato. Não há cimento, argamassa nem ligantes químicos entre as peças.

Sem etapas úmidas, a obra ganha velocidade. Construções tradicionais dependem da cura do concreto e do endurecimento da argamassa, enquanto o sistema modular funciona a seco.

Segundo a Conceptos Plásticos, os tijolos também oferecem isolamento termoacústico, recebem aditivos retardantes de chama e seguem normas colombianas para áreas com risco sísmico.

Embalagens comuns no lixo urbano estão entre os resíduos que podem ganhar novo destino por meio da reciclagem por Pexels

Resíduo urbano ganha outro destino

Cerca de seis toneladas de resíduos plásticos são usados em cada casa construída. Embalagens, sacolas e potes que poderiam parar em aterros ou rios passam a integrar a estrutura da moradia.

Não se trata apenas de reaproveitar um material abundante no lixo urbano. O plástico convencional pode levar décadas ou séculos para se degradar, dependendo do tipo de material e das condições ambientais.

Também entram nesse ciclo catadores e cooperativas, responsáveis por fornecer parte da matéria-prima. Com isso, a cadeia gera renda em comunidades de baixa renda e abastece a fabricação dos blocos.

Tecnologia já saiu do papel

Em Guapi, no sul da Colômbia, a empresa construiu abrigos para 42 famílias deslocadas pelo conflito armado interno colombiano, em parceria com o Conselho Norueguês para Refugiados. A obra usou mais de 200 toneladas de plástico reciclado e foi concluída em 28 dias.

Fora da América do Sul, os tijolos chegaram à Costa do Marfim com apoio da UNICEF, sendo aplicados na construção de escolas em comunidades vulneráveis. A revista Forbes também destacou o projeto entre soluções criativas para enfrentar a falta de moradias sem ampliar a pressão ambiental.

Debate pela frente

Por aqui, blocos cerâmicos e de concreto continuam dominando boa parte da construção civil, em processos que costumam consumir água, gerar entulho e alongar o prazo das obras.

Levantamentos já colocaram o Brasil entre os maiores geradores de lixo plástico do mundo. Uma adoção semelhante, porém, ainda dependeria de discussão sobre normas de construção, segurança e adaptação às condições climáticas locais.

Tags:

Sustentabilidade